São tantos os modelos de serviços no mercado de websites que podem deixar você confuso e indeciso. Novos tempos requerem novas relações comerciais, seja em ambientes livres ou proprietários.

Eu adoro proporcionar plataformas e novidades que podem oferecer às pessoas novas possibilidades. E quando posso tento abrir um pouco os níveis superiores das hierarquias da web para que as pessoas tenham a oportunidade de decidir sobre o que vão fazer na Internet.

Desde que iniciei as atividades na internet tenho encontrado desafios semanais de pessoas, ONGs ou empresas que tendo ou não recursos financeiros em abundância querem cada vez mais aderir à proposta do Faça-Você-Mesmo (ou DIY na sigla em inglês) e o avanço deste processo cria dramas intensos e oportunidades excelentes.

Os dramas tratam de argumentos entre a banalização do mercado de trabalho na Internet, perda da qualidade na interface produtor/consumidor e diminuição dos impactos positivos da TI no empreendimento. Há quem se preocupe com o cenário global e suas fronteiras pois grande parte dos produtos massivos no mercado ocidental de websites vêm de empresas norte-americanas como WIX,GoDaddy, Weebly e SquareSpace .

Quando prestei serviços para um cliente em Moçambique busquei soluções regionalizadas mas encontrei poucas produções do continente africano, por exemplo. Faz tempo já e pouco encontrar não quer dizer que não exista, o google é bom mas nem todo o mundo curte ele. O último software que utilizei e foi criado lá, o Ushahidi – é demais! Já Rússia, China e Ásia em geral, assim como a Oceania merecem outras considerações.

É gigante o universo de opções assim como o nosso desconhecimento da realidade do planeta todo impede qualquer generalização. Geralmente estas plataformas são aplicações de um modelo de negócio tipo SaaS, traduzido como Software Como Um Serviço porque você não compra a licença de uso da cópia e sim seu direito ao uso do software, normalmente configurado em um sistema centralizado e hierárquico.

O processo é global. E surge a pergunta no glocal: se o páreo é duro para as grandes como o UOL e a Locaweb no Brasil, como será para as pequenas empresas e os freelancers que atendem sonhos e desejos e dificilmente vendem em lote?

Reorganizando a estratégia

Distante deste pequeno resumo do cenário de aspectos dramáticos, o momento é também incrível em possibilidades positivas e oportunidades criativas de reencontrar uma nova função para o conhecimento adquirido com as experiências do passado.

Observando o presente são possíveis novos rearranjos que resolvem alguns dos aspectos negativos, principalmente quando potencializam e tornam relevantes dois aspectos interessantes da permacultura transmídia: multifuncionalidade e trabalhar com a natureza do processo, não contra ela.

Na prática é simples: se você percebe e deseja que você ou sua própria equipe pode controlar seus meios de comunicação, procure entender que tudo mudou e você pode mesmo!

Você pode, nós podemos, os outros podem. Isso significa que quase todo mundo está podendo então não há manuais sagrados para tamanha diversidade. E você pode também a partir de agora se preparar para contratar novos tipos de suporte e conhecimento experiente para fortalecer o desenvolvimento destes outros novos modelos faça você mesmo de negócios na Internet. Será que somente na Internet?

Mas e a proposta de um mundo digital de softwares livres e gratuitos?

Para responder sem aprofundar o assunto, atente ao fato de que existem diferenças entre um Software Livre e um Software Grátis, os modelos de negócios são intermitentes e mesmo o universo proprietário tem se aproximado cada vez mais dos modelos livres, a pirataria digital é um tema bem polêmico.

Algumas vezes dá para unir o melhor dos todos os mundos mas não é sempre, por isso que às vezes você vai ter que pagar por serviços adicionais que muitas vezes são feitos por seres humanos, não se esqueça. O mais incrível é que é mais fácil vender trabalho automatizado do que trabalho humano. Parece-me que as pessoas respeitam mais o trabalho automatizado…

Soluções disruptivas ao modelo proprietário

No universo do software livre há sempre possibilidades muito eficientes para plataformas na internet onde você pode fazer você mesmo seu próprio site. Vou exemplificar com sistemas de gerenciamento de conteúdo que são hospedados em servidores que podem ser compartilhados, virtuais e privados, dedicados ou em nuvem.

Entre estes softwares eu curto muito o Joomla! e o WordPress pela agilidade em levantar um site, 30 minutos dá conta, mas se tem em mãos um projeto mais profissional e de equipe eles aguentam o tranco também. O Drupal é sempre uma ótima opção quando você tem condições de manter uma estrutura adequada de suporte porque vai precisar.

Todos os 3 softwares livres citados neste parágrafo deverão ser constantemente atualizados para não servir de zumbi em atividades ilegais na Internet. E todos têm uma comunidade incrível no mundo todo que vai te responder 98% das suas dúvidas e adversidades técnicas, quando não 100%.

Há muitas outras opções, milhares e muitas delas poderiam resolver inúmeros problemas seus. Ah, quer mais uma oportunidade? Você facilmente pode encontrar modernizações híbridas como o Joomla! do Cloud Access ou o WordPress da Microsoft em versões ofertadas também como serviço. Só há competição em alguns pontos de vista, não em todos 😉

Aprendi isso no dia a dia deste mundinho, muito também entorno da professora Tereza C de Carvalho. Um projeto na Internet é mais que um website, é um conjunto de experiências entorno de uma série de conteúdos disponíveis para a troca em uma plataforma configurada com um IP, um ou mais.

Sempre Redes

Como diz o amigo Pedro Belasco: “na questão da linguagem, não importa muito a sua escolha, há muito ainda a ser feito”.  E podemos muitas vezes extrapolar o conceito.

Meu trabalho se organiza em minha rede de vínculos e já tive que me adaptar a cada novo passo destas pessoas, inúmeras vezes. Dá para fazer três boas anotações do aprendizado seguido de uma atitude:

  • Uma verdade é que A CADA DIA surgem novas tecnologias e metodologias. Podemos experimentar sempre.
  • Novas capacidades são demandadas àqueles que estão dispostos a encontrar NOVAS RELAÇÕES. Então aprenderemos a viver em/entre outros grupos com relativa frequência.
  • O “cliente” TERÁ vontade de aprender algo diferente, novo ou deve cumprir novas práticas na web, novas leis e deveres. Façamos o que é preciso ser feito.

Acredito que é assim para quase todo o mundo e não somente para o específico trabalho de fazer um website ou manter um servidor e serviços. Tem sido assim com meus trabalhos e em algumas redes que estou imerso.

Algumas vezes alguém confunde o Faça-Você-Mesmo com o Vou-Fazer-Sozinho e a situação pode complicar um pouco, mas basta uma conversa significativa para acertar o processo. Porque complicar pode ser cada um seguir o seu caminho, ou não, mas o mais importante é que seja o processo mais tranquilo e claro possível.

Aí é muito importante que as pessoas possam ter conversas significativas, que possam expressar-se sem repressão. São estas construções sociais interativas mais livres que transformam as pessoas e as organizações quiçá influenciando o mercado e transformando um pouco esta jaula de ganas que é o mundo.

Penso que uma alternativa de escape é sempre refletir sobre o que você é e tem a disposição. Quando o assunto ficar um pouco mais sério para iniciar empreendimentos que façam de você o dono de sua comunicação é muito importante atenção à:

  • Multifuncionalidade. Se você cultivou um conjunto de conhecimentos ele com alegria e certeza pode ser aplicados em cenários diversos ou adversos.
  • Não trabalhar contra a natureza do processo. Flua e dedique suas capacidades ao aprendizado e execução. Não julgue ou condene, experimente.
  • O valor é criado na interação. Então esqueça o produto salvador ou uma solução pronta, você terá que fazer você mesmo o seu destino.

E tem mais!

Todas estas idéias são uma pequena parcela daquilo que muitos adoram praticar, pesquisar, testar e produzir na Baia Hacker: conhecimento. E conhecimento sustentável é conhecimento que pode ser compartilhado, é aquele que é livre. Como os propósitos de Mad Dog Hall e Muhammad Yunus em seus projetos disruptivos, veja nos dois links abaixo as idéias que inspiraram este texto.

Entrevista com o Yunus que aponta reflexões sobre os motivos do trabalho – http://revistatrip.uol.com.br/revista/245/reportagens/o-banqueiro-dos-pobres-muhammad-yunus-propoe-uma-nova-logica.html

Matéria sobre o Cauã Project de Mad Dog abrindo perspectivas de geração de renda de modo descentralizado- http://www.sul21.com.br/jornal/guru-do-software-livre-apresenta-projeto-que-promete-revolucionar-uso-de-computadores-nas-grandes-cidades/

Eu viajei um pouco nos pensamentos e não foquei o tema faça você mesmo, mas fiz do meu jeito. Ainda não escrevi (diria que ignorei) o mundo mobile onde tablets e smartphones dominam o uso de dispositivos e atenção humana cotidiana. Há ainda os microprocessadores e outros dispositivos embarcados ou vestíveis, este cenário é realmente surpreendente!

A rede sempre se reinventa em termos de como cada um pode fazer sua comunidade. Há os projetos livres como o da Guifi e o Commotion, existem os sistemas como o OpenWRT e derivados como o Piratebox e o LibraryBox e há aqueles que dedicam seu trabalho para vivenciar e praticar as idéias mais sustentáveis e resilientes que encontramos ou podemos gerar no mundo! Não falta mais nada, logo mais tudo será peer to peer nos acordos e valores.

Com a esperança eterna do respeito à Gaia.


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