BioTechnoSwarm

 

Plataformas tecnológicas de experiências em rede:

 o enxame de casas inteligentes à serviço da biodiversidade

 

 

 

São Paulo

2013


 

 

Carlos Diego de Souza Rodrigues

 

 

 

 

 

 Monografia apresentada como exigência para obtenção do grau de Especialização à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, no MBA de Sustentabilidade em Tecnologia da Informação e Comunicação do Laboratório de Sustentabilidade do Departamento de Engenharia e Sistemas Digitais. 

Área de Concentração: Sistemas Digitais

Orientador(a):

Profa. Dra. Tereza Cristina Melo de Brito Carvalho

 

 

 

FICHA CATALOGRÁFICA

 

 

       Rodrigues, C. Diego de Souza

 

Plataformas tecnológicas de experiências em rede: o enxame de casas inteligentes à serviço da biodiversidade / C. D. S. Rodrigues – 1ª edição – São Paulo, 2013.

Monografia (MBA Sustentabilidade em Tecnologia da Informação) – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Laboratório de Sustentabilidade do Departamento de Engenharia e Sistemas Digitais.

 

  1. Inteligência Coletiva (Inteligência do Enxame) 2. Redes Sociais (Netweaving) 3. Automação Residencial (Domótica) 4. Biodiversidade 5. Plataformas 6. Resiliência

 

 


 

RESUMO

Entender como as casas e residências podem estabelecer padrões colaborativos para o aprimoramento de políticas e projetos sustentáveis que interajam autônoma e tecnologicamente na busca de soluções para problemas complexos quanto ao impacto em biodiversidade é uma demanda da sociedade global. As tarefas e iniciativas de produção do cotidiano nos ambientes residenciais são específicas para cada grupo cultural do planeta e variam conforme a adaptação ao ambiente formando aglomerados impactantes para a saúde dos ecossistemas e a permanência dos seres humanos nestes. A execução das residências dependem do conhecimento disponível de geração em geração, do uso e da apropriação das tecnologias assim como da disponibilidade, acesso e compartilhamento de informações. Este trabalho visa integrar a dinâmica das redes sociais humanas à processos tecnológicos automatizados e inteligentes artificialmente capazes de prover informações sobre o impacto da ação humana na biodiversidade. Aqui estão compiladas pesquisas deste século sobre os fenômenos das redes sociais, inteligência coletiva e Domótica, centradas nas possibilidades de criação de princípios para estruturas tecnológicas ubíquas que se utilizam de padrões livres. São descritos também caminhos para refletirmos com maior ênfase e dedicação sobre a sustentabilidade dos aglomerados de casas e dos princípios para o planejamento de métodos sustentáveis de aplicação das tecnologias em residências.

Palavras-chave: inteligência coletiva (inteligência do enxame), redes sociais (netweaving), automação residencial (domótica), biodiversidade, plataformas, resiliência

 

ABSTRACT

This search intend to understand how homes and residences can set standards for collaborative improvement of politics and sustainable projects that interact autonomously and technology to find solutions to complex problems as the impact on biodiversity is a demand of the global society. The common tasks and the daily production initiatives in residential settings are specific to each cultural group on the planet and vary according to the adaptation to the environment forming cluster impacting on the health of ecosystems and the permanence of these humans. The execution of households depend on the available knowledge from generation to generation, the use and appropriation of technologies as well as the availability, access and share information. This work aims to integrate the dynamics of human social networks to technological processes automated and artificially intelligent able to provide information on the impact of human activities on biodiversity. Here are compiled research on social network analysis, collective intelligence and home automation, focusing on the possibilities of creating principles for ubiquitous technological structures which use open standards. Are also described ways to reflect with greater emphasis on sustainability and dedication of clusters of houses and principles for planning sustainable methods of application of technology in homes.

Keywords: collective intelligence (swarm intelligence), social networks (netweaving), home automation, biodiversity, platforms, resilience

 

LISTA DE TABELAS

Tabela 01 : Conceitos de mecânica dos jogos. Amy Jo Kim, Putting the Fun in Functional . 26

Tabela 02: Classificação de residências quanto ao nível de controle. . . . . . . . . . . . . . . . . . .  37

Tabela 03: Millennium Ecosystem Assessment.2003. Vol. 1 Cap 27 Tabela 27.9. Island Press, Washington, D.C., USA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47

Tabela 04: Forças Motrizes Indiretas do Problemas Prioritários em sistemas urbanos e serviços ecossistêmicos  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .48

Tabela 05 – Indice dos 10 país mais pontuados no E-Government Survey 2012 – E-Government for the People . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. .76

Tabela 06 – Tipos de diálogos possíveis em situação de governança eletrônica………………..  79


LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 – Diagrama de redes de Paul Baran (1964) …………………………………………………… 17

Figura 2 – Tipos de conhecimento geradores da Experiência ……………………………………….. 22

Figura 03 – Tipologia de vizinhança para lbest (anel) e gbest (estrela) …………………………. 32

Figura 04 – Esferas espaciais formadoras do Modelo Espaço Vivo ……………………………… 38

Figura 05 – Tipologia da rede de casas inteligentes a serviço da biodiversidade ……………. 53

Figura 06 – Ilustração das conexões entre todas as casas inteligentes da rede ………………… 54

Figura 07 – Os quatro campos característicos da avaliação de impacto tecnológico em biodiversidade ……………………………………………………………………………………………………….. 57

As ilustrações de formulação própria no corpo do texto são de autoria do autor com a colaboração de Cristiano Andreazza.

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

Agência Nacional de Pesquisas Espaciais Norte-Americana (NASA)

Ant Colony Optimization (ACO)

Artificial Intelligence for Ecosystem Services (ARIES)

Avaliação Ecossistêmica do Milênio (MA)

Centro de Pesquisa em Sistemas da Informação (CISR)

Centro de Referência em Inteligência Empresarial (CRIE)

Centro Mundial de Monitoramento da Conservação (WCMC)

Computational Intelligence Society (IEEE)

Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS)

Eco-Management and Audit Scheme (EMAS)

European Coordinating Committee for Artificial Intelligence (ECOAI)

Evolutionary Multi-Agent Systems (EMAS)

Fonds de la Recherche Scientifique (FNRS)

Frequency Industrial, Scientific and Medical (ISM)

Instituto de Ecologia (INECOL)

Massachusetts Institute of Technology  (MIT)

Internacional Conference on Swarm Intelligence (ANTS)

Internet of Things and Services (IoTS)

Swarm Intelligence (SI)

United Nations Enviroment Programme (UNEP)

 

SUMÁRIO

1    INTRODUÇÃO……………………………………………………………………………………………………. 11

1.1    Objetivos………………………………………………………………………………………………………. 12

1.2    Motivações…………………………………………………………………………………………………… 12

1.3    Organização do Trabalho………………………………………………………………………………… 13

2    Uma casa para três ciências…………………………………………………………………………………….. 16

2.1    Netweaving e os fenômenos da interação…………………………………………………………… 16

2.1.1    As redes sociais e as experiências humanas………………………………………………….. 21

2.1.1.1    Conhecimento explicito nas redes sociais……………………………………………… 23

2.1.1.2    Conhecimento implícito nas redes sociais…………………………………………….. 23

2.1.1.3    Conhecimento tácito nas redes sociais………………………………………………….. 24

2.1.2    Gamificando o mundo mediado………………………………………………………………….. 25

2.1.3    A abundância na economia da informação……………………………………………………. 26

2.2    Breve perspectiva do Swarm Intelligence………………………………………………………….. 27

2.2.1    Seleção dos princípios do swarming intelligence…………………………………………… 30

2.2.1.1    Princípio da Proximidade……………………………………………………………………. 32

2.2.1.2    Princípio da Qualidade……………………………………………………………………….. 32

2.2.1.3    Princípio da Estabilidade……………………………………………………………………. 32

2.2.1.4    Princípio da Adaptabilidade……………………………………………………………….. 32

2.2.1.5    Princípio do Paralelismo…………………………………………………………………….. 32

2.2.1.6    Princípio da Robustez……………………………………………………………………….. 33

2.2.1.7    Princípio da Escalabilidade…………………………………………………………………. 33

2.2.1.8    Princípio da Heterogeneidade……………………………………………………………… 33

2.2.1.9    Princípio da Flexibilidade……………………………………………………………………. 33

2.2.2    Aderindo a um ou mais princípios da SI……………………………………………………… 33

2.3    Domótica e a essência da casa inteligente…………………………………………………………… 35

2.3.1    Uma plataforma que proporcione experiências…………………………………………….. 40

2.3.2    A ubiquidade das infraestruturas tecnológicas……………………………………………… 41

2.3.3    Nós de controle – os blocos principais e sensores………………………………………… 43

2.3.4    ZigBee e o padrão livre……………………………………………………………………………… 44

3    Avaliação do Impacto em Biodiversidade e Adoção de Tecnologias em âmbito doméstico…. 45

3.1    A Avaliação Ecossistêmica do Milênio e os Serviços Ecossistêmicos……………………. 45

3.1.1    Desdobramentos da Avaliação Ecossistêmica do Milênio……………………………… 48

3.1.2    Avaliando Impactos em biodiversidade……………………………………………………….. 51

3.1.2.1    Ferramentas para a gestão da biodiversidade…………………………………………. 51

3.1.2.2    Inteligência Artificial para Serviços Ecossistêmicos (Artificial Intelligence for Ecosystem Services – ARIES)  54

3.1.2.3    Os serviços ecossistêmicos que enxames de casas inteligentes podem prestar 55

3.1.3    Campos característicos da atuação em rede distribuída das casas inteligentes…… 57

4    CONCLUSÃO………………………………………………………………………………………………………. 61

4.1    SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS……………………………………………… 62

REFERÊNCIAS………………………………………………………………………………………………………….. 64

APÊNDICE A – Cenários de aderência e redução do impacto em biodiversidade…………………….. 67

Cenários dos Enxame de Casas Inteligentes…………………………………………………………………….. 67

Cenário 1 – Heterogeneidade na exploração do ambiente  no século XXI………………………. 67

Cenário 2 – Escalabilidade das casas inteligentes enxameadas pode regular microclimas…… 69

Cenário 3 – A robustez recompondo o fundo do mar………………………………………………….. 69

Cenário 4 – Paralelismo em e-Governança é uma necessidade latente…………………………….. 69

Cenário 5 – Proximidade, persuasão e governança eletrônica………………………………………… 69

 

 

1        INTRODUÇÃO

Há dificuldades em todos os cantos do planeta no desenvolvimento equilibrado dos sistemas habitacionais humanos que propiciem segurança e condições dignas de vida para todos os seres vivos  da Terra. Onde há dificuldade há também esforços para saná-la, pelas mais diferentes formas e caminhos emergentes de realização.

A difícil integração entre o Homem e a Natureza nos aglomerados residenciais humanos consolidou-se através dos tempos em um grande conjunto de conhecimento, consequências e boas práticas extensíveis à várias áreas do conhecimento e prática humana.

As tarefas e iniciativas de produção do cotidiano nestes ambientes residenciais são específicas para cada grupo cultural do planeta e variam conforme a capacidade de adaptação ao ambiente de cada um destes grupos sociais. Dependem da disponibilidade de acesso e compartilhamento do conhecimento interno, vívido de geração em geração, assim como do uso e apropriação das tecnologias quando na interação com o mundo.

Construir condições que permitam aglomerados de residências humanas e viver bem nelas são atividades historicamente espontâneas. Elas aconteceram em todos os lugares onde um homem e uma mulher se encontraram, ou onde iguais em gênero decidiram se estabelecer. É um desejo irrefreável no caminho da sobrevivência da espécie e diretamente determinante nas condições socioeconômicas globais.

Algumas das aplicações tecnológicas das sociedades contemporâneas tem dado mostras de que podem gerenciar globalmente o uso dos recursos naturais, otimizar a execução e proteção aos serviços ecossistêmicos e definir um caminho para as melhores práticas nas construções das unidades de Vida humana, as residências, a casa.

É preciso e possível motivar estas iniciativas em cada ponto e nos entrelaces do todo das relações humanas investindo em práticas de desenvolvimento das experiências de interação que sejam respeitosas com a biodiversidade.

A tarefa instiga e necessita da energia gerada na interação de todos os entrelaçados: nenhuma destas inovadoras aplicações tecnológicas pode executar todas as necessidades domésticas globais isoladamente. Isto é uma tarefa para enxames pois todos os pontos compartilham do mesmo espaço onde acontecem as suas relações individuais, o planeta Terra.

A tecnologia está a serviço do Homem para o auxiliar no cumprimento de seus objetivos, a inteligência pode orientar as experiências e o como fazer e os sentimentos dirão se os resultados são agradáveis ou os desejados.

Temos hoje a tecnologia necessária para a criação de um sistema de captura de informações dos serviços ambientais e, a partir deles, podemos otimizar o gerenciamento dos processos locais de todo o planeta na construção colaborativa de conhecimento e de condições de sustentabilidade a partir das unidades básicas de sobrevivência – as residências.

As aplicações práticas são diversas e os modelos teóricos aqui descritos tratarão de temas relacionados à padrões e orientações tecnológicas para a implementação em novos projetos, assim como a possíveis adaptações aos projetos já existentes. Os conceitos e conjunto de conhecimentos sobre o Humano, a Tecnologia e a Biodiversidade aqui levantados podem orientar também a execução de programas e políticas públicas ou institucionais de integração da infraestrutura tecnológica com o ambiente social familiar, com a residência e com o ambiente natural, o planeta Terra.

1.1       Objetivos

Este trabalho tem como objetivo estabelecer parâmetros organizacionais para os sistemas tecnológicos a serem aplicados em ambientes residenciais tendo por base uma avaliação de impacto em biodiversidade.

 

1.2       Motivações

A premissa  basilar deste trabalho é a de que o ser humano pode vivenciar redes, e utilizar tecnologias que colaboram e podem orientar o desenvolvimento tecnológico com compreensão dos processos naturais, permitindo o descobrimento de uma vivência no planeta Terra com impacto positivo em biodiversidade.

A construção desta pesquisa exploratória advém da conexão de inúmeras redes de saberes e da possibilidade de integração dado que todas são constructos complexos, bebem de várias fontes e disciplinas científicas. Criar idéias unindo ciências de modo que possam colaborar entre si.

Há indicações em pesquisas no universo científico da Gestão do Conhecimento (CRIE, PUC/RJ) de que a motivação para a construção colaborativa com pessoas que tem um determinado interesse que as conecta, portanto em rede, advém de cenários onde:

  1. o indivíduo conhece detalhadamente a tarefa a ser experienciada;
  2. o indivíduo gerencia a si mesmo neste processo;
  3. o processo é reconhecido como inovador;
  4. a relação é entre qualidade e valor proporcionado

É possível utilizar estes quatro pontos para criar um cenário de integração de objetivos complexos, de tal modo que a segunda premissa deste trabalho é a de que o ser humano constrói suas casas sem a compreensão global do todo ao qual está imerso socialmente.

Porém, ao fazê-lo, ele (1) conhece (ou pode conhecer) detalhadamente as tarefas que ele realiza em sua casa, podendo assim (2) escolher e estabelecer os princípios para a gestão das escolhas tecnológicas domésticas como um (3) processo integrado ao planeta que trará (4) qualidade de Vida e agregará valor as suas relações com o ambiente.

 

1.3       Organização do Trabalho

O limite de uma monografia, seja ele temporal ou de recursos para a pesquisa, impõe restrições no que tange ao aprofundamento e seleção de casos de estudo de modo a serem detalhados, lógica e cientificamente.

A abordagem aqui estabelecida tende à pesquisa exploratória dado que se utiliza de inúmeros autores, temas e caminhos científicos. Assim serão criados entrelaces exploratórios cujo objetivo é tornar possível encontrarmos um conjunto de práticas que merecem mais estudo e atenção, o momento é sempre oportuno para experiências.

O primeiro conjunto de conhecimentos aqui utilizados é o netweaving que nos trará perspectivas de como os seres humanos se organizam em redes e alguns dos indicadores mais atuais de descrição do comportamento coletivo social, facilitando as reflexões da adoção de tecnologias em escalas do possível.

Os métodos pesquisados neste trabalho também destacam as recentes descobertas a partir da década de 1990 da ciência conhecida como Swarm Intelligence (SI), onde há a proposição de modelos referenciais teóricos que estimulam o desenvolvimento de sistemas naturais e artificiais compostos por muitos indivíduos que se mantenham coordenados sob um controle descentralizado e auto-organizado.

A SI é o segundo conjunto e trata dos paradigmas dos insetos sociais aplicados à resolução de problemas complexos, é também uma inspiração das experiências tal qual acontecem entorno do netweaving. Com uma abordagem mais próxima da Inteligência Artificial a SI trouxe a realidade de problemas complexos vivos para o ambiente computacional, tal como serão selecionados extratos descritos com objetiva seleção das características de interesse desta pesquisa, principalmente sobre o potencial de um (uns) enxame(s) de residências aptas tecnologicamente à sincronização com o seu ambiente, feito tecnologicamente possível no terceiro conjunto científico, a Domótica.

A Domótica nos dá condições para compreender o que é uma casa inteligente e quais as tecnologias são necessárias para a sua implementação. Em pesquisas nos arquivos da biblioteca online acadêmica disponíveis na Universidade de São Paulo, especificamente na área de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica encontramos a plataforma Home Sapiens, uma rede de nós de controle capazes de auto-organizarem-se no cumprimento de tarefas ubíquas residenciais muito estimuladas nos últimos anos de desenvolvimento tecnológico, as tarefas do mundo em frequências.

A partir deste capilar levantamento bibliográfico visamos construir um conjunto de elementos capazes de orientar o desenvolvimento de novas pesquisas, iniciativas e projetos que podem desenhar o futuro e diminuir ou equilibrar o impacto humano quanto à biodiversidade, como será demonstrado no capítulo três.

Em nosso último conjunto da pesquisa vamos prospectar algumas iniciativas e estratégias de implementação de projetos de sustentabilidade em escala global, demonstrando que já é realidade do mundo a prática de iniciativas onde aglomerados residenciais atuam como um enxame que se auto-organiza em programações para a sustentabilidade.

Como exemplos para uma perspectiva sustentável descobrimos na Avaliação Ecossistêmica do Milênio projetos em andamento e oportunidades efetivas de implementação de contramedidas ao grande impacto que as cidades causam aos ecossistemas adjacentes.

A partir desta compilação teremos subsídios para estudar os serviços ecossistêmicos que as casas inteligentes podem prestar e quais são os campos tecnológicos característicos da atuação em rede de enxames destas casas.

Com vistas a identificar os serviços ecossistêmicos que as casas inteligentes podem prestar e quais são os campos característicos da atuação em rede de enxames de casas teremos, a  partir das abordagens citadas,  subsídios adequados para entender o funcionamento e implicações desses novos processos biológicos, tecnológicos e sociais.

Para uma melhor compreensão dos argumentos aqui propostos, foi necessária a criação de cenários para exemplificar as ramificações possíveis da aplicação desta proposta de integração dos conhecimentos e princípios encontrados nas três abordagens[1]. Esta é uma necessidade no trato de situações complexas, encontrar alternativas para a compreensão do fenômeno.

No último capítulo deste trabalho são feitas as conclusões e apresentadas linhas gerais de possibilidades futuras para esta pesquisa.

 

 

 

2        Uma casa para três ciências

Neste capítulo serão concatenados extratos da ciência da arte de compreender redes sociais e perspectivas de como podemos compará-las aos comportamentos naturais da inteligência coletiva que é o segundo conjunto científico analisado. No terceiro conjunto serão apresentadas as características essenciais da casa inteligente, o local onde grande parte da vida humana pode acontecer e como podem ser integradas à redes ubíquas de padrões livres.

2.1       Netweaving e os fenômenos da interação

Quanto mais distribuição + conectividade.

Quanto mais conectividade há + interatividade.

Interatividade é distribuição e conectividade.

(AUGUSTO DE FRANCO, 2012).

 

O ser humano é o mais social dos animais quando falamos de agregação dado suas inúmeras concepções para os relacionamentos, por viverem juntos de formas e maneiras distintas e adaptadas a diversos ambientes de conexões distribuídas por todo o planeta, as redes sociais.

Rede é o padrão de organização. Redes sociais são as estruturas humanas complexas que são formadas a partir dos padrões intricados de entrelaçamento de toda a sociedade humana em seus diferentes meios de manter-se social e aglomerada.

Um dos inventores da rede de comutação de pacotes, o cientista da computação Paul Baran (1964) propôs a classificação das redes em 3 categorias organizadas quanto a sua topologia (que indica a distribuição das relações entre os nós), podendo classificá-las como redes centralizadas, descentralizadas ou distribuídas. O diagrama da classificação de Baran pode ser visualizado na Figura 01.

 

 

 

 

 

 

 

Figura 1 – Diagrama de redes de Paul Baran

 

Estes diagramas foram utilizados em inúmeras aplicações científicas e empresariais, inclusive nas avaliações e análises que influenciaram o desenvolvimento posterior da conceituação de redes de aprendizagem e comunidades de prática – métodos induzidos de desenvolvimento das relações de seres humanos entorno de um objetivo ou interesse.

Orientando desde estudos autônomos à estudos científicos e computacionais (como a própria pesquisa de Paul Baran sobre a distribuição de pacotes de informação) o conhecimento sobre as redes se ramificam através de uma série de relações de perspectivas históricas permeadas nas atividades cotidianas.

Em uma rede social o principal fator de avaliação é a conexão entre os elementos desta rede, “a capacidade de amplificação de pequenos estímulos por meio de complexos processos de disseminação e amplificação” (FRANCO 2009). As diferentes conexões possíveis têm seu potencial de interação ampliado quando a distribuição da rede tende a alcançar seu grau máximo de conectividade, onde todos estão conectados e conhecem ou podem ter acesso livre ao conhecimento de todos os outros elos (nós) presentes na teia de conexões.

As redes sociais sendo um padrão de organização do ser humano apresentam características em algum momento definidas. Elas se auto-replicam para a sua própria manutenção e existência, sofrem mutações a cada geração, em alguns momentos verdadeiros turning points! como os descritos por Fritjof Capra no seu livro Ponto de Mutação (1982) e aumentam sua complexidade rapidamente, assim como podem vir a deixar de existir tranquila ou abruptamente.

Os padrões são dinâmicos, emergem simultaneamente e são dependentes da sua existência prática. Um grande exemplo de uma rede descentralizada que possibilita uma rede distribuída é a estrutura física da internet, gerida politicamente no mundo por acordos repletos de cadeias hierárquicas de controle e by-pass, como os padrões de gestão do protocolo http:// e as diversas senhas necessárias para cada ambiente.

Porém quanto ao seu uso ainda há rincões na world wide web de extrema autonomia e distribuição que se utilizando da estrutura de comunicações existentes criam túneis capilares de conexões e programas capazes de garantir o anonimato, vide os exemplos do Freenet Project e das possibilidades do KProxy Agent.

Toda relação em rede dado que é baseada nos laços entre as pessoas tem a partir da confiança na veracidade destes laços a sua intensidade e capacidade de troca (a transação) variável conforme a fluidez dos retornos e a intensidade de liberdade das informações. A esta intensa capacidade de troca a Escola de Redes (uma rede de pessoas dedicadas à investigação sobre redes sociais e à criação e transferência de tecnologias de netweaving) nomeia como fluzz.

Na sua célebre defesa da Antropologia como ciência Clifford Geertz afirma o que para ele é a cultura: “O homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu” (GEERTZ, 1978). Amarrar-se a estes significados é criar laços, vínculos. Nós.

Uma das netweavers da Escola de Redes, Vivianne Amaral simplifica em suas pesquisas (AMARAL,V. 2010) quando afirma que as redes são um fenómeno constitutivo da vida social pois “a vinculação tem sido a tessitura do humano”, processo indicativo da consciência de que o vínculo é uma estratégia humana para a sustentabilidade e indicador da qualidade de nossas interações.

Nestas abordagens exploratórias, não-hierárquicas, descobre-se que redes sociais também podem ser definidas pelo que não são:

“não são uma invenção contemporânea; não são redes digitais; não são clubes seletos de pessoas cooperativas; não duram para sempre e nem são feitas para crescer indefinidamente; não são um instrumento para fazer a mudança; só funcionam quando existem; começam sempre com outra rede social; não “acontecem” só porque adotamos uma tecnologia interativa.” (FRANCO, 2010)

Quando as pessoas se organizam em redes mais distribuídas do que centralizadas elas transformam seu futuro e consequentemente influenciam o futuro de todo o sistema social. Elas podem mudar potencialmente as dinâmicas de suas redes para otimizar seu funcionamento e a forma como estão conectadas umas as outras em sociedade, mesmo quando incorporadas a ela: influenciando e sendo influenciado pela rede o ser humano tem um tipo de vida próprio e dinâmico de manter-se vivo em contato no século XXI.

Outro dado interessante no netweaving é a clareza da coordenação por emergência nos processos de aglomerados humanos: não são as pessoas que fazem as coisas de modos diferente em suas relações sociais, é o modo como elas estão conectadas dentro do pequeno mundo de suas relações. Se o padrão de organização é distribuído a conectividade será maior e teremos a ampliação das interações.

Compreendendo que o espaço social é o máximo possível das relações, quando imaginamos um mundo de pessoas livres de hierarquias já que nestas qualquer relação de poder sobre o outro é similiar a uma deformação no campo social: “Impor caminhos é deformar um tecido, perturbar um campo” (FRANCO, 2012). Se há deformações no espaço social estas serão negativa ou positivamente refletidas na performance individual nas situações de tomada de decisão da pessoa, lembrando que todas as pessoas podem ter disponíveis para uso dispositivos semelhantes em critérios de função, completa ou incompletamente.

É como se o esforço do conjunto de conhecimento, atitudes e habilidades fosse inútil na suplantação das estruturas dos clusters culturais da sociedade e é necessário mover-se nela, não ter ou ser algo na ilusão de estar dentro dela.

Um exemplo claro é o modelo de telefone celular que é possuído por duas pessoas, uma de status hierárquico elevado e o outro de status hierárquico razoável. Ambas podem executar as mesmas operações e utilizar o mesmo plano de dados de telefonia móvel da mesma operadora.

Quando cada qual está imersa em sua rede de conexões, amarrada em sua teia de significados e relacionamento, uma poderia fazer negócios de alto rendimento com presidentes de nações ou multinacionais e a outra poderia somente interagir (ou trabalhar diária e gratuitamente para grandes redes sociais online e seus anunciantes) publicando detalhes de seu dia a dia e comentando as promoções publicitárias da semana. O foco da perspectiva não é julgar ou avaliar as ações individuais, é simplesmente refletir sobre os limites das conexões do possível quando deformado hierarquicamente.

Quando a rede é distribuída há a possibilidade de que a pessoa de status hierárquico razoável também entre em contato com presidentes de multinacionais, basta querer. É como se esta pessoa pudesse acessar pelo seu dispositivo contato telefônico de todos aqueles que estão conectados à mesma rede telefônica. Em redes centralizadas ou descentralizadas onde há a presença de hierarquias esta conexão é mais complicada, quiçá impossível.

Nestes últimos anos o netweaver Augusto de Franco e outros da Escola de Redes (2011)  têm realizado descobertas significativas sobre as redes sociais e revelam quatro fenômenos dos comportamentos coletivos humanos: o clustering, o swarming, o cloning e o crunching.

O primeiro destes comportamentos coletivos identificados nas redes sociais é o clustering (aglomeração) que prevê que os seres humanos que interagem tendem a criar aglomerados, se encontrarem e se espalharem em grupos. Quando multidões de pessoas ou de grupos se aglomeram e realizam alguma atividade coletivamente encontramos o segundo fenômeno do comportamento coletivo de interação auto-propagada, o swarming (enxameamento). Ele pode acontecer a partir das interações entre os indivíduos e surgem estimulados por alterações no ambiente, por emergência.

O terceiro comportamento coletivo é o cloning, que compreende a clonagem como uma forma de interação. As sucessivas execuções e repetições com variações das idéias apreendidas culturalmente faz com que cada elemento do coletivo possa aprender com a repetição de comportamentos dos outros elementos, pode ser cultural – amarrar-se com o mesmo nó mas amarrando do seu jeito

Estas repetidas sucessões dos aglomeramentos e enxameamentos clonados humanos desencadeiam uma contração no mundo social, ele fica menor pois gera o aumento do grau de conectividade e distribuição das conexões entre os seus elementos. Teremos assim uma diminuição no grau de separação entre os nós desta rede e a este fenômeno, que é o quarto e último dá-se o nome de crunching.

2.1.1      As redes sociais e as experiências humanas

Quantificar a experiência total, coletiva e social da humanidade é paradoxo imensurável. É da experiência da humanidade o compartilhar de alegrias e desavenças na prática sob o impacto de informações novas das/nas comunidades tradicionais ou futuristas de seu tempo, os infindáveis processos e projetos desenvolvidos a cada século ou ciclo sob nova direção, enfim, somos um cosmos de conhecimento repletos de vida fluída.

A Experiência é fazer uso prático do conhecimento para alcançar algum objetivo mediante a estruturação de relacionamentos sociais, tecnologia e conteúdo.

Seja formal ou informal, culturalmente tradicional ou científica, os processos culturais de produção de informação e conhecimento apontam para a compreensão de que todas as unidades pensantes e produtoras de informação são mais capazes se juntas. Com o suporte tecnológico correto o exercício da função é satisfatório e muito produtivo.

Quando o ser humano necessita trabalhar uma quantidade aparentemente infinita de dados como as encontradas nos complexos desafios contemporâneos em todas as áreas do conhecimento, ele está vivenciando um momento crucial da percepção histórica de que o fazer compartilhado é mais inteligente do que o fazer isolado.

E a questão não é numérica, não significa que uma atividade só por ter a participação de uma quantidade maior de pessoas necessariamente será mais inteligente, ou porque está marcada positivamente verde nos scores quantitativos de monitoramento há a garantia da credibilidade total do método.

O aprendizado importante é que trabalhando, pensando e compartilhando com muitos fluxos de fontes distintas produtoras de experiências o processo apresenta um maior potencial para alcançar medidas de autorregulação e manter-se em desenvolvimento sustentável, que é a capacidade de possibilitar condições contínuas de vida no ambiente.

Rupert Sheldrake avança e constrói a hipótese dos campos mórficos, a memória coletiva para qual todo membro da espécie acessa e deposita ao tomar suas decisões. É o potencial máximo da rede social de aprender, desenvolver e partilhar conhecimento entre os grupos além de suas fronteiras geotemporais.

O conhecimento difere radicalmente de todas as outras métricas de serviços, porque não segue a teoria da escassez. Ao contrário ele tende à abundância: quanto mais conhecimento compartilhamos, mais teremos e quanto mais usamos o conhecimento, maior o seu valor.

Entre as características positivas deste processo onde a experimentação é baseada em inúmeras possibilidades de padrões distintos de existência, a possibilidade de sucesso da preservação de vida na Terra aumenta quando somos capazes de diminuir a repetição de erros, quando registramos e compartilhamos tornando público o conhecimento a partir das experiências vivenciadas, quando destacamos as melhores práticas socialmente construídas, a melhoria dos processos de acordos complexos com integração entre as experiências adquiridas, a disponibilização retroalimentada de informações para o monitoramento quantitativo do processo e a possibilidade de ampliação do universo mental do indivíduo que pode assim conviver com universos mentais distintos do seu.

Os seres humanos juntos produzem muito conteúdo e muita experiência. Utilizam-se de dados e informações que podem ser armazenados, manipulados e processados pelos computadores. Com o conhecimento isto não acontece. O conhecimento é algo pessoal, vivenciado por alguém. Não pode ser armazenado nem processado por computadores. Só pelas pessoas.

O conhecimento é usado pelas pessoas para se tomar uma decisão ou praticar uma ação. As pessoas durante sua vida buscam, dão e recebem informações que das mais diversas formas se desenvolvem nas formas de conhecimento.

 

Figura 2 – Tipos de conhecimento geradores da Experiência

Se a informação está associada ao significado, o conhecimento está associado à prática, à ação. Assim propomos na figura 02 de formulação própria expressamos a experiência como um pulso de ação a partir dos três tipos de conhecimento: o explícito, o implícito e o tácito.

As citações a seguir são os conceitos de conhecimento do Centro de Referência em Inteligência Empresarial (CRIE) da PUC Rio e seus reflexos nas redes sociais. Há a necessidade permanente de integração e colaboração nas diversas áreas das ciências que visam a criação e implementação de tecnologias que possam compreender as dinâmicas relacionais da sociedade.

O conhecimento é fator central nas discussões desta pesquisa, assim é necessário que seja estabelecida uma tipologia.

2.1.1.1     Conhecimento explicito nas redes sociais

“O conhecimento explícito é o que conseguimos transmitir em linguagem formal e sistemática. É o conhecimento que pode ser documentado em livros, manuais ou portais ou transmitido através de correio eletrônico ou por via impressa. Na verdade, conhecimento explícito é informação.”

Este conhecimento das pessoas tem como base as informações oferecidas e disponíveis na sua própria rede, podendo ser ordenado e categorizado de acordo com o interesse maior daquele determinado aglomerado.

Dada a quantidade de pessoas em cada rede social e a quantidade de conexões entre as suas atividades a criação de conhecimento explícito é continuamente potencializada com a troca entre os seres nas uniões, cópias e distribuições das práticas sistemáticas individuais.

 

2.1.1.2     Conhecimento implícito nas redes sociais

“O conhecimento implícito é um conceito mais recente e que serve para descrever um conhecimento que, embora ainda não tenha sido documentado, é passível de o ser. É conhecimento que possuímos e somos capazes de transmitir de forma mais ou menos assistida. Na verdade, é conhecimento que pode ser explicitado mas ainda não foi.”

Nas redes sociais temos muitas formas de conhecimento implícito disponível para e vivenciado pelas pessoas: como as escolas motivam seus seus alunos a estudar e os motivos das inovações surgirem frequentemente fora delas, quais os vídeos mais inspiradores para as equipes de vendas mesmo o sucesso sendo identificado no modo espontâneo, quais são os instrumentos de comunicação mais utilizados pelos jovens engenheiros antenados sendo o médico o preceptor que intui uma nova utilidade, etc.

O conhecimento implícito antecede a experiência, é o como fazer as coisas compartilhado. Designa as práticas comportamentais que são replicadas a cada geração em uma confluência de significados e significantes que em determinado dia se transformará em ação, trabalho.

Todos acreditamos saber quais os elementos fortes destas equações, o que torna as culturas interessantes é que o conhecimento implícito ganha formas novas a cada dia e pode ser replicado de inúmeras maneiras.

 

2.1.1.3     Conhecimento tácito nas redes sociais

“O conhecimento tácito, ao contrário, é o que temos, mas do qual não temos consciência. É pessoal, adquirido através da prática, da experiência, dos erros e dos sucessos, difícil de ser formulado e transmitido de maneira formal.”

Depois do “como” implicito, o tácito “o quê?” nunca poderá ser vislumbrado na forma de produtos e atividades e somente vivenciado criando as condições para as desejáveis consolidações na história humana.

Robustos e complexos conjuntos de conhecimento tácito podem gerar resultados muito distintos e dependerão da experiência (uso prático) das pessoas com o assunto para que possam ser consolidados.

Não podemos igualar os resultados dos rendimentos das pessoas somente com base nos manuais e livros com os quais ele entrou em contato ou sabe como utilizar. É possível compreender que a eficiência não advém do método, mas do cumprimento da função e há inúmeros caminhos distintos quando permitida a abundância.

 

2.1.2      Gamificando o mundo mediado

Aprofundando a pesquisa em temas entorno do netweaving a nova conexão que surge é com um conjunto de características de um processo globalmente conhecido como funware  ou  gamification. Estes conceitos descrevem a forma de transformar situações do mundo real em jogos, tratando de aplicativos ou design de experiências mediadas por tecnologias que se utilizam de mecânicas de jogos em contexto e situação de não-jogo.

O design de experiências não se trata de inovação ou descoberta recente, é apenas uma adequação dos meios de comunicação (e de relacionamento entre os seres) ao hoje, retomando conceitos que precedem a antiguidade e são recriados pelos atuais processos de mídia social e comunicação.

Recentemente a americana Amy Jo Kim (2007) apresentou sua análise das redes sociais digitais onde expõe 5 conceitos da mecânica dos jogos que podem melhorar a experiência do utilizador e serem aplicados às redes sociais. Eles podem ser visualizados na tabela 01.

Conceitos de mecânica dos jogos

1.  Colecionar

2.  Pontos

3.  Resposta ao Sistema

4.  Interações

5.  PersonalizaçãoTabela 01: Amy Jo Kim Putting the Fun in Functional

 

Amy Jo Kim avaliou que existe no ser humano uma tendência instintiva de colecionar items e exibí-los. Nas redes digitais os utilizadores podem colecionar vídeos, fotos, frases, textos, eventos e amigos. Sim, amigos. As conexões tendem a acontecer em curvas ascendentes onde se torna quase obrigatório se “conectar” a outras pessoas, às vezes chegando a disputa sobre quem “tem mais amigos”.

Abundância novamente não é somente resultado da diversão mas sim uma característica da nova economia dos relacionamentos digitais.

 

2.1.3      A abundância na economia da informação

A lógica da abundância é um conceito criado por Juan Urrutia em seu ensaio na revista Ekonomiaz, em 2001. Ele argumenta que “o pleno desenvolvimento da lógica da abundância é subjacente à Nova Economia e está associado com o efeito de rede.”

Criando um paralelo mercantil para a compreensão dos processos em rede a lógica da abundância aparece quando a produção e estrutura de custos torna-se desnecessária para resolver coletivamente, via mercado ou decisão autoritária e/ou decisão democrática, o que é produzido e o que não funciona.

Envolta a permitir uma abordagem sobre produção e economia da informação em sociedades democráticas a lógica da abundância encontrou em David de Ugarte outras inovações. Os processos em rede possibilitam ganhos em escala dado que a informação tende a se padronizar, tanto em mecanismos de coleta e acesso quanto em sua replicação. O custo para participar da rede diminui a cada novo elemento, enquanto o valor da participação aumenta.

Publicado em 2007, o livro “O Poder das Redes” de David de Ugarte apresenta perspectivas extremamente abrangentes e perspicazes: “Quando uma rede cresce vive-se no que os economistas chamam de subótimo paretiano: é possível melhorar a situação de um indivíduo sem piorar a dos demais.”

São considerados por Ugarte dois os modelos de geração de lógica da abundância, exemplificados na Internet como (1) “o que se produz pela extensão de uma rede distribuída e (2) o que é gerado a partir de uma rede centralizada, em que o centro, ou o mumi, é muito volátil.”

Os mumis são dinamizadores sociais, pessoas que intensificam a produção e, posteriormente, a redistribuem. Fazem parte do processo de maneira dinâmica pois é uma função volátil, há revezamento no cumprimento das atividades de redistribuição.

Estudados por Marvin Harris como uma das bases da organização social dos Siuai de Bougainville (nas Ilhas Salomão), Ugarte (2007) relata estes estudos em que “O jovem que aspira a ser reconhecido como mumi trabalha sem descanso na preparação de festas para homenagear a tribo. Com isso, ele obtém cada vez mais seguidores que lhe proverão de carne e cocos para novas festas, ainda maiores. Se ele é capaz de oferecer um banquete melhor do que aqueles dos mumis estabelecidos, sua reputação aumentará, conquistará os seguidores do antigo mumi e se transformará no líder da tribo.”

No limite dos jargões econômicos, na tentativa de descobrir o custo da relação entre qualidade e valor proporcionado pela informação o preço é equivalente ao custo marginal, e o custo marginal de disseminar uma unidade de informação nos dias atuais é zero.

Assim podemos descrever que as redes sociais conectadas da atualidade, alimentadas pelos diferentes mumis presentes em cada um dos aglomerados ou enxames de humanos do planeta poderão, com custo zero de disseminação da informação, se dedicar as suas tarefas comportamentais e vivenciais com a sua comunidade local e, posteriormente, compartilhar com o conjunto maior de comunidades no planeta através de tecnologias pervasivas.

Aglomerados humanos podem prover informações dos mais diversos tipos e dado a intensidade das trocas contemporâneas podem abranger todo o planeta. Aliados às tecnologias e compreendidos como elementos de uma rede intrincada por todo o território estes aglomerados humanos impactam e podemos avaliar os danos nas relações ambientais que foram estabelecidas através dos tempos. A situação não é confortável e será melhor desenvolvida no capítulo três.

 

2.2       Breve perspectiva do Swarm Intelligence

“Swarm Intelligence (SI) é a propriedade de um sistema em que os comportamentos coletivos de (não-sofisticados) agentes interagindo localmente com o seu meio ambiente causam o surgimento de padrões globais coerentes e funcionais.”

(BONABEAU, DORIGO, THERAULAZ, 2010)

Este novo campo de pesquisa chamado de Swarm Intelligence (em uma tradução para o português poderia ser algo como “Inteligência do Enxame” ou Inteligência Coletiva) vem recebendo um número crescente de colaborações com as produções ao longo dos últimos 20 anos e influenciando um sem número de aplicações práticas para a resolução de problemas complexos, seja em pesquisas nos campos natural, artificial, científico ou nas engenharias tecnológicas.

Os processos de SI descrevem os comportamentos coletivos que resultam em interações locais entre indivíduos e estes ao seu ambiente, sendo os estudos biológicos de insetos sociais a partir do qual constróem-se os primeiros pilares da ciência.

Ao longo dos anos muitos pesquisadores de Etologia e Comportamento Animal propuseram modelos para explicar os aspectos científicos do comportamento de insetos eussociais, aqueles insetos que apresentam comportamentos sociais. Desde então inúmeros algoritmos computacionais foram criados com base nestas perspectivas da natureza, invocando inspirações na forma e conceitos naturais como metáforas para as criações humanas e avaliações meta-heurísticas dos inúmeros fenômenos que podem ser classificados como de enxameamento e abordados na perspectiva da inteligência coletiva.

Podemos encontrar estudos de SI em diversos ambientes de pesquisa pelo mundo.

Recentemente entre 2010 e 2011 a Agência Nacional de Pesquisas Espaciais Norte-Americana (NASA) premiou 3 projetos com a oportunidade para os participantes de desenvolver soluções inovadoras para desafios que somente ela pode proporcionar e ainda receber prêmios em dólares por isso. Utilizando-se sem custo algum da estrutura de crowdsource e plataforma de execução InnoCentive a NASA conseguiu mobilizar 23 propostas de soluções enviadas de 14 países diferentes. Um destes projetos é de SI e foi postado em 23/08/2010 por Kennie Jones e tendo como título “Coordination of Sensor Swarms for Extraterrestrial Research[2].

Outro destaque da SI acontece bi-anualmente desde 1998, é a Internacional Conference on Swarm Intelligence (ANTS), conferências suportadas através dos anos por instituições como a European Coordinating Committee for Artificial Intelligence (ECOAI), a IEEE Computational Intelligence Society (IEEE) e o Fonds de la Recherche Scientifique (FNRS), entre outras.

Marco Dorigo, um dos diretores de pesquisa do FNRS e co-diretor do Iridia, o laboratório de inteligência artificial da Université Libre de Bruxelles na Bélgica, é um dos inventores da meta-heurística Ant Colony Optimization (ACO) uma iniciativa que mantém online papers, publicações, tutoriais e softwares simuladores para estudos de sistemas artificiais inspirados em comportamento de formigas, gratuitamente. Quase certo que por esta profusão de conhecimento mais ferramentas gratuitas e extremamente eficientes este é um dos métodos mais utilizados em SI no mundo.

Uma outra fonte imprescindível de conhecimento sobre SI advém do trabalho de Simon Garnier, Jacques Gautrais e Guy Theraulaz entitulado “The biological principles of swarm intelligence”. O objetivo deste paper foi o de analisar os mecanismos por trás da “organização sem uma organização” para estimular e inspirar o design de algoritmos de otimização distribuída na ciência da computação.

Neste trabalho os autores introduzem uma categorização para os comportamentos coletivos baseados em quatro componentes que emergem em nível de grupo e que foram chamados de: coordenação, cooperação, deliberação e colaboração. Com estes quatro componentes ele se debruçam naquilo que clamam como o problema central da SI: a adaptação do grupo às mudanças no ambiente ou no próprio grupo.

Para encontrar componentes de nível de grupo os principais modelos para as aplicações atuais da SI são: “otimização por enxame de partículas, otimização de colônia artificial de abelhas, otimização de escola de peixes, otimização do vaga-lume, pesquisa cuckoo, otimização do vagalume, otimização do rebanho, pesquisa wolfpack, algoritmo de otimização been, bactérias à procura de alimentos, entre outros”[3].

Outra pesquisa aqui estudada que é do campo da SI foi o paradigma computacional Evolutionary Multi-Agent Systems (EMAS) proposto pelo Prof. Krzysztof Cetnarowicz e desenvolvido pelo Intelligent Information Systems Group da Universidade AGH de Ciência e Tecnologia de Kraków, Polônia. O EMAS é um algoritmo evolucionário que pode ser aplicado para resolver problemas de otimização, particularmente com sucesso em problemas de arquitetura neural, otimização multi-critérios e funções multi-modais.

As pesquisas sobre EMAS influenciam principalmente porque delimitam problemas com a proposição de algoritmos evolucionários: sabemos o quê eles fazem mas não sabemos o porquê. Com o ser humano sabemos um pouco mais sobre os porquês e temos portas abertas paras as perspectivas psicológicas, sociológicas e antropológicas (ou somente netweaving) na busca de soluções e que são perceptíveis durante este trabalho.

 

2.2.1      Seleção dos princípios do swarming intelligence

A SI cria sua existência na busca de conhecimento sobre soluções autônomas, integradas e inspiradas na natureza e concentra seus esforços na resolução de como comunidades auto-organizadas se adaptam às mudanças internas ou externas no ambiente.

Podemos encontrar nesta ciência subsídios para a reflexão sobre o que torna-se premente ao ser humano contemporâneo: como viver com qualidade nos adaptando às mudanças em nosso ambiente e em nosso comportamento coletivo?

Os processos de otimização de partículas são indicados para a compreensão da SI. Os dois modelos mais estudados são o de otimização da colônia e o de otimização do enxame de partículas (na sigla em inglês PSO)

Kennedy and Eberhart desenvolveram em 1995 os conceitos para a otimização de funções não-lineares de modo simples, fáceis de implementar e computacionalmente eficientes, sendo efetiva para uma grande variedade de problemas. As características deste modelo nos introduzem à uma série de princípios comportamentais da SI.

A definição da população é inicializada em ambiente de simulação (hiperespaço) atribuindo-lhes posições e velocidades aleatórias. Potenciais soluções ótimas são incutidas em cada agente e então lançadas no hiperespaço onde o desempenho das partículas é conhecido como fitness. Dá-se o nome de:

  • pbest” (personal best) para o melhor de uma partícula individual
  • lbest” (local best) para o melhor em relações com vizinhança definida
  • gbest” (global best) para o melhor na população global

Cada partícula mantém o controle do desempenho de  sua “melhor” posição (aptidão mais alta) no hiperespaço. A cada passo, cada partícula estocasticamente acelera em direção a sua situação ótima em pbest e gbest (ou lbest).

 

Figura 03 – Tipologia de vizinhança para lbest (anel) e gbest (estrela)

 

Na figura 03 é possível visualizar as conexões do parâmetros de configuração utilizado por este algoritmo. Apresentam a tipologia de vizinhança de dois modos, a lbest local (a) e a gbest global (b), também conhecidas como anel (ring) e estrela (star), respectivamente. A vizinhança local é em relação as interações imediatas entre os vizinhos, sendo comum empregar o número mínimo de 2 de conexões e a vizinhança global é onde todas as partículas estão conectadas às demais.

Em estudos de apresentações do Departamento de Ciência da Computação e Engenharia Elétrica da Universidade de Kumamoto no Japão encontramos também a tipologia da roda (wheel), onde apenas uma partícula está conectadas com todas as outras, estas efetivamente separadas entre si. Este e outro estudos de topologia física desenvolvidos através de análises como dimensão, espaço e transformação criam inúmeros cenários de colocação e interação dos agentes.

Dada a origem dos estudos de PSO serem influenciadas pelos insetos eussociais os experimentos com agentes vivos pressupõem que a  interação dos agentes é determinada geneticamente ou através das relações sociais. Pode se dar de duas formas, a direta quando acontece através de contato visual, tátil, audível e químico e a indireta que ocorre somente quando os indivíduos mudam o ambiente e os outros reagem a este novo ambiente.

Porém vamos com calma. Voltando à pesquisa de Kennedy and Eberhart quando estudando o comportamento destas partículas em ambientes com as tipologias possíveis de anel e estrela, encontramos os princípios a seguir:

 

2.2.1.1     Princípio da Proximidade

A população deve ser capaz de realizar cálculos simples de espaço em determinados passos de tempo. É o cálculo da proximidade.

 

2.2.1.2     Princípio da Qualidade

A população deveria ser capaz de responder a fatores de qualidade no ambiente. É quando a população responde a fatores de pbest e gbest.

 

2.2.1.3     Princípio da Estabilidade

A população não deve mudar seu modo de comportamento toda vez que o ambiente muda. Ocorrem mudanças na população somente quando gbest (ou lbest) muda.

 

2.2.1.4     Princípio da Adaptabilidade

A população deve ser capaz de alterar o modo de comportamento quando vale a pena o preço computacional. Quando a população muda seu estado quando gbest (ou lbest) muda.

Outro estudo de SI que oferece princípios do comportamento de agentes simples que cooperam entre si é encontrado na pesquisa Swarm Intelligence — Searchers, Cleaners and Hunters (Altshuler1, Yanovsky1, Wagner1,2, e Bruckstein 2006) e foram selecionados por serem responsáveis pela resolução de problemas complexos com o paradigma básico onde múltiplos agentes podem ser mais eficientes no cumprimento de determinadas tarefas, inclusive permitindo a mobilidade dos agentes em sua navegação até a situação ótima.

São estes os cinco princípios do comportamento das partículas:

2.2.1.5     Princípio do Paralelismo

Enxames inteligentes tem uma capacidade maior do que um agente somente de abordar tarefas por inúmeros pontos de vista já que podem dividir a tarefa em sub-tarefas e realizá-las ao mesmo tempo.

 

2.2.1.6     Princípio da Robustez

A possibilidade de redundância na programação de um enxame garante maior robustez dado que elimina a possibilidade caso o sistema suportado por um só agente apresente falhas. Em um enxame mesmo que alguns elementos falhem o restante é capaz de cumprir a tarefa.

 

2.2.1.7     Princípio da Escalabilidade

A escalabilidade é característica de sistemas multi-agentes dado a baixa sobrecarga tanto na comunicação quanto no processamento, permitindo ganhos na complexidade necessária para enfrentar os problemas.

 

2.2.1.8     Princípio da Heterogeneidade

Dado que o sistema baseado em multi-agentes pode ser heterogêneo ele pode utilizar-se de elementos especializados em determinadas tarefas.

2.2.1.9     Princípio da Flexibilidade

Dada a complexidade da coesão interna de cada sistema multi-agente estes grupos são capazes de executar uma variedade de padrões de comportamentos. Isso permite o reaproveitamento dos sistemas em inúmeras situações.

 

2.2.2      Aderindo a um ou mais princípios da SI

Para que os ensinamentos da SI em seu conjunto de variadas características possa orientar com modelos e princípios uma população de seres humanos que interagem otimizando as funcionalidades previstas em suas residências, capazes de se adaptar ao ambiente local e global é necessário o cumprimento em nível ótimo das sucessivas adaptações coletivas e que cada elemento busque o melhor para a sua comunidade.

Nas páginas do APÊNDICE A e posteriores serão utilizadas as descobertas realizadas com colônias de insetos sociais, e que são os exemplos das formigas Leptothorax albipennis e dos cupins Macrotermes bellicosus (GARNIER; GAUTRAIS; THERAULAZ, 2007, p.10) como paradigma do mundo natural e senciente deste trabalho que visa a partir destas análises estabelecer critérios sustentáveis para os sistemas tecnológicos residenciais.

Estes seres são exemplares pois vivem auto-organizadamente em sistemas distribuídos com uma estrutura social altamente complexa onde o resultado e eficiência é muito maior do que a simples soma das partes, cada um dos pequenos e delicados seres capazes coletivamente de fatos incríveis.

Em contraposição os seres humanos vivem hierarquicamente organizados em sistemas descentralizados com uma estrutura social altamente complexa onde o resultado e deficiência é maior do que a simples soma das partes, cada um dos  pequenos e engenhosos seres capazes coletivamente de destruírem o ambiente em que vivem.

Há muita coisa em comum e para todas as espécies a situação é a mesma: indivíduos que procuram aprender soluções com as experiências dos outros semelhantes que vivem em proximidade. No caso dos seres humanos a alta conectividade (e o crunching do mundo) altera o comportamento da variável proximidade, via internet você pode aprender muita coisa em todo o planeta.

Seja no caso dos insetos sociais, seja com os aglomerados humanos a observação histórica permite que o indivíduo perceba o fenômeno social e quais as partes da experiência da qual cada um vivencia, optando ou não pela repetição e adesão a uma interação específica de acordo com as possibilidades proporcionadas pelo ambiente. É a busca do melhor para si, o seu pbest.

As escolhas e a cultura destas escolhas afeta a performance dos indivíduos em relação a tarefa a ser cumprida e pode causar grandes impactos na comunidade com o um todo. Ao aglomerar as pessoas criam interesses e objetivos específicos com seus vizinhos, o seu lbest. O melhor para toda a humanidade deveria ser o gbest.

Os processos das redes sociais agora amparados por grandes sistemas tecnológicos assumem novas capacidades de flexibilização no atendimento às demandas do ser humano, multifuncionalidade no cotidiano e na busca pela sobrevivência, atuando em tempo real para cada indivíduo e acompanhando massas intangíveis de atividades produtivas.

O próximo passo é compreender como estes padrões de organização de comportamentos coletivo e estes sistemas tecnológicos já em uso por indivíduos, empresas e governos estão sendo incorporados à nossas casas.

 

2.3       Domótica e a essência da casa inteligente

O desafio então é desenvolver a tecnologia e criar possibilidades para novas aplicações e serviços que beneficiem a vida das pessoas do século XXI. As redes de sensores e nós de controle deverão se integrar perfeitamente com dispositivos computacionais móveis e a infraestruturas fixas de redes de comunicação. De acordo com Basten et al. (2003), a visão dos ambientes inteligentes requer uma mudança fundamental nos paradigmas de arquitetura de sistemas, modelos de programação e algoritmos existentes. (BOLZANI, 2010:41)

Desafio aceito no que tange principalmente a criar possibilidades para novas aplicações e serviços que beneficiem a vida das pessoas, a colaboração desta etapa na pesquisa é na prospecção de elementos essenciais da casa inteligente, ou melhor descrevendo, dos enxames de casas inteligentes. Se crucial é a necessidade/capacidade de gerenciar o ciclo de vida de cada arquitetura, é fundamental também a reflexão alinhada aos ciclos que se unem a fluxos cósmicos, tais quais os ciclos de todas as coisas naturais que são e existem dinamicamente desde o Big Bang.

A SI pode prover uma série de elementos que instigam a produção de novas máquinas e design de processos automatizados e o netweaving pode prover consciência aos seres humanos em clusters distribuídos que lhe permitam a felicidade, porém os limites humanos para um impacto positivo na natureza ainda são tensos e rígidos.

Grande influenciador neste trabalho é a pesquisa desenvolvida para a defesa de doutorado do Doutor Caio Augustus Morais Bolzani (2010) entitulada “Análise de Arquiteturas e Desenvolvimento de uma Plataforma para Residências inteligentes”.

Suas pesquisas pressupõem o desenvolvimento de uma plataforma (hardware, firmware e software) nomeada de Home Sapiens e:

“baseada em nós de controle distribuídos, ela permite o acesso aos dados provenientes de sensores, a geração de informações de contexto, a identificação de serviços e a manipulação das características do ambiente residencial segundo regras de decisão, planejamento e métodos de aprendizado baseados em técnicas de Inteligência Artificial. (BOLZANI, 2010).

Esta pesquisa cuja alcunha científica é a Domótica é centrada na estrutura tecnológica do possível multidisciplinar de compreensão das formas de como as tecnologias podem ser absorvidas pelas residências humanas. Neste trabalho ela é de suma importância pois abriu caminhos para refletirmos com maior ênfase e dedicação sobre a utilidade das regras de decisão da Inteligência Coletiva Artificial, do comportamento de formigas (Ant Colony Optimization) e dos fenômenos de interações sociais (netweaving), nos princípios que podem influenciar o planejamento e a aplicação das tecnologias em ambientes residenciais que objetivam diminuir seu impacto em biodiversidade.

As pesquisas de Bolzani (2007 e 2010) nos apresenta os desafios principais em cada etapa do processo de desenvolvimento de estruturas tecnológicas capazes de suportar a ambição computacional humana na automatização de residências, remodelando a aplicação de conhecimentos e consolidando algumas práticas padronizadas globalmente.

A tabela 02 que pode ser visualizada a seguir exibe uma classificação de cada tipo de casa, as características e os elementos presentes diferenciados no que tange a tecnologia. Foi necessário a inclusão de fatores de percepção humana declarados como sutis possibilidades de interação e ela é transparente no sentido de que pode orientar o desenvolvimento de aplicações e serviços.

 

 

 

Tipo de Casa

Características

Elementos

Eletrificada Controle manual e local de iluminação e cargas Infraestrutura de energia elétrica. Eletrodomésticos.
Automatizada Controle automático de iluminação e cargas (intra residencial) Eletroeletrônicos programáveis. Dispositivos individuais de controle.
Comandada Controle remoto de iluminação e cargas (intra residencial). Infraestrutura de rede doméstica. Dispositivos de comando remoto. Espaços físicos conectados.
Conectada Reação. Controle remoto externo. Troca de dados remota. Rede de acesso. Gateways. Dispositivos externos de controle. Pessoas conectadas. Acesso a serviços e informação. Espaços social, tecnológico e físico conectados.
Inteligente Ação e tomada de decisões baseadas na cooperação para a solução de problemas. Planejamento. Aprendizado. Conhecimento. Orientação ao contexto Inteligência Artificial. Dispositivos auto configuráveis e autônomos. Robôs. Substituição do ser humano nas tarefas.

Tabela 02: Classificação de residências quanto ao nível de controle

Esta tabela tipológica de casas facilita a compreensão do que é esperado quando é desejável integrar dinâmica de redes sociais humanas à processos tecnológicos automatizados e inteligentes artificialmente na manutenção de uma casa sustentável.

O destaque é que a Inteligência Artificial, tais quais as inspirações presentes na SI, pode substituir com modelos e princípios configuráveis uma população de seres humanos em algumas tarefas. Para este trabalho as casas inteligentes não são mais as casas do futuro, são do presente. É necessário redesenhar novamente o futuro.

A Domótica apresenta em suas vertentes multidisciplinares inúmeros aspectos de como podemos compreender uma residência, uma casa. Nos estudos realizados pelos pesquisadores da Universidade da Califórnia (VENKATESH 2001) podemos encontrar os desenhos daquilo que imaginavam ser a casa do futuro. Este estudos tem a premissa de pesquisas etnográficas que buscam encontrar informações sobre famílias que responderam à anúncios no jornal para serem habilitadas a serem estudadas nas formas como se apropriam das tecnologias de informação em seus lares.


O modelo teórico para o estudo da casa do futuro contou com a utilização do “Modelo Espaço Vivo” que ser visualizado na figura 04 e apresenta a compreensão do universo residencial como uma sobreposição de três esferas: o espaço físico e arquitetônico, o espaço social e cultural e o espaço tecnológico (VENKATESH 2001). Este modelo nos permite compreender a integração entre os diversos espaços possíveis encontrados nos ambientes de vivência humana.

 

Figura 04 – Esferas espaciais formadoras do Modelo Espaço Vivo

 

 

Entendendo a casa como um espaço híbrido entre o público e o privado a partir da adoção sistemática de tecnologias para o lar a pesquisa indica que a alteração do status das atividades realizadas em casa deixa de ser de vivência, lazer e descanso para adotar novas funções sociais como o trabalho e o consumo, dando destaque para o caráter nômade dado que é possível acessá-la mesmo a centenas de quilômetros de distância.

Nos três espaços (esferas) avaliados com o “Modelo Espaço Vivo” a pesquisa não encontrou alterações significativas na infraestrutura arquitetônica das casas para que se adaptassem às tecnologias entrantes. Houve alterações no âmbito do uso do espaço dado que as famílias ampliaram a disponibilidade para a interação com os dispositivos tecnológicos disponíveis, sendo chamado esse fenômeno de “domesticação” do espaço tecnológico (VENKATESH 2001). Este fato interessante é muito mais frequente que uma adaptação concreta aos novos dispositivos pois o processo se dá pela acomodação deles ao mobiliário já existente, mesmo que não apropriadamente.

A adaptação concreta ocorre no fenômeno encontrado em vários lares da pesquisa onde os moradores realizaram a construção de mobiliário próprio para o uso desejado das tecnologias. É uma prática de usuários domésticos e que costumeiramente são capazes de realizar suas próprias obras e criações na adaptação, quaisquer sejam as restrições impostas pelo espaço disponível.

Já quando a pesquisa busca examinar os padrões culturais de adoção e uso das tecnologias de informação em ambientes caseiros, no espaço social e cultural, os autores indicam a evolução do uso no sentido de que a tecnologia é complementar e amplamente utilizada em situações que envolvem trabalho e na educação infantil.

A pesquisa não encontrou diferenças na apropriação em relação ao sexo do utilizador, somente em relação à orientação que cada gênero adota para esta apropriação. Descobriu também que o público infantil utiliza-se frequentemente de conhecimentos adquiridos com os amigos (a sua rede anelada) para a decisão de seu uso.

No espaço tecnológico do “Modelo Espaço Vivo” há o destaque para o paradigma do usuário de desktop que era costumeiramente adotado na época da pesquisa, nos idos de 2001. Adultos e crianças “se adaptavam” aos dispositivos como podiam e indicavam a necessidade de dispositivos mais adequados ao uso cotidiano no mainstream familiar. Mais de 10 anos depois as tecnologias ubíquas transformaram para melhor o design e a interatividade possível.

 

2.3.1      Uma plataforma que proporcione experiências

 

“Desejável Mundo Novo é feito por e para aqueles que confiam – em si, no outro, em sua comunidade, em sua causa, percebem que há bom senso no coletivo e que é possível conviver e operar a partir dele. (DEHEINZELIN, 2012, p.19)

 

A casa inteligente pode prover aos seres de seu ambiente um conjunto integrado de opções e tecnologias que dão sustento de condições ótimas de vida, conectadas em âmbito biorregional e global sem a necessidade de geração de resíduos desnecessários e sofrimento para as gerações futuras.

Plataforma é uma expressão utilizada para denominar a tecnologia empregada em determinada infraestrutura de Tecnologia da  Informação (TI) ou telecomunicações, garantindo facilidade de integração dos diversos elementos dessa infraestrutura.

Peter Weill, cientista sênior e chairman do Centro de Pesquisa em Sistemas da Informação (CISR) do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (em inglês, MIT), destaca que as atividades cada dia mais virtuais têm transformado as estruturas das empresas. E porque não também as estruturas dos processos de Governança e execução de políticas estruturais?

Ele aponta uma série de características que os estudos do MIT-CISR detectaram nas empresas e governos em âmbito global e propõe um framework que crie valor a partir do desenvolvimento de três competências na construção de uma plataforma de execução: o conteúdo, a experiência e a plataforma.

O ser humano pode cultivar o conteúdo da sua vida e vivenciar sua experiência com os outros e a natureza. A casa inteligente será a plataforma que proverá a infraestrutura para a execução da sustentabilidade.

 

 

2.3.2      A ubiquidade das infraestruturas tecnológicas

As infraestruturas tecnológicas contemporâneas são invisíveis, pervasivas e desenvolvidas em profusa ocupação dos espaços não tecnológicos nos dias atuais, daí sua nova característica ubíqua.

O  termo ubíqua vem do latim ubiquus e significa estar em todos os locais, que está ao mesmo tempo em todos os locais. Foi publicado nos termos computacionais em 1991 por Mark Weiser, então cientista do Centro de Pesquisa da Xerox em Palo Alto-USA, em um artigo entitulado “The Computer for the 21st Century”.

Segundo Weiser o objetivo da computação ubíqua é integrar a relação da tecnologia/máquina com os seres humanos de tal forma que ela seja invisível, já que observava que a tecnologia extrapolaria as estações de trabalho e que poderia estar presente em todo o mundo de maneira pervasiva. Esta característica chamada pervasividade deve-se ao fato de que a tecnologia deve estar presente em todos os lugares com cada ponto de acesso conectado a mesma base de informação.

O desafio dos cientistas e profissionais desta área é desenvolver as tecnologias e a computação ubíqua de forma a estarem cada vez mais presente na vida das pessoas propiciando uma interação total entre todos os elementos do ambiente.

Desde sua criação a Internet deu suporte a estes grupos criativos e produtivos que encontraram nas pesquisas e novas tecnologias de TI a infraestrutura necessária para o uso, a compilação e análise dos atuais infinitos dados informacionais possíveis de serem gerados.

Dada a capacidade de colaboração intrínseca aos processos em rede e a crescente diversidade de terminais de acesso, a utilização dos recursos informacionais impulsionaram um sem fim de novos serviços e demandas na sociedade que a cada dia que passa é cada vez mais conectada e adepta a trocas constantes em interação, geração de conteúdo e novas necessidades.

Eis a Internet das Coisas e Serviços (do inglês Internet of Things and Services, IoTS), um fenômeno que depende de uma arquitetura orientada para serviços (SoA) – uma arquitetura padronizada que permite aplicações a serem combinadas em serviços interoperáveis.

É um conceito principalmente desenvolvido no Auto-ID Laboratory do MIT que intensamente recorre ao uso de redes de sensores sem fio e da identificação por radiofrequência (RFID). A IoTS também usa tecnologia semântica que compreende o significado da informação e facilita o acesso e interconexão de conteúdo.

Embora os dados de várias fontes e em diferentes formatos possam ser facilmente combinados e processados por uma infinidade de serviços inovadores com base web, a  IoTS depende da união dos mundos físico e digital permitindo que objetos do mundo real possam interagir e se comunicar uns com os outros.

As características presentes neste cenário de serviços habilitados pela Internet são: acesso banda larga a Internet disponível em qualquer lugar, meios de transmissão interativos, sistemas inteligentes para casas, tecnologias de exibição ultrafinos, flexíveis, HD e 3D integradas a dispositivos para exibição em qualquer ambiente ou aparelho específico, interação multimodal e plataformas para serviços de valor agregado.

“Ecomagnination is about the future. We will focus our unique energy, technology, manufacturing, and infrastructure capabilities to develop tomorrow’s solutions such as solar energy, hybrid locomotives, fuel cells, lower-emission aircraft engines, lighter and stronger materials, efficient lighting, and water purification technology.” — Jeffrey Immelt, Chairman and CEO of General Electric Company (UNEP, 2005:28).

 

A dinâmica dos IoTS admitem sensibilidade e adaptação das tecnologias empregadas nos serviços ao contexto da preservação do ambiente e da qualidade de vida dos usuários, proporcionando interatividade em todos os seus conteúdos e intensificando a criação constante de novos serviços.

Esta sensibilidade impulsionou na IoTS a forte integração entre o mundo físico e o mundo virtual, ampliando a capacidade das unidades produtivas atenderem inúmeras e incipientes possibilidades criadoras de valor e estenderam a abrangência de seus serviços a todos os campos da vida.

Novos padrões de interoperabilidade e governança integrados com a natureza devem ser estabelecidos e estimulados a dar conta de todas as inúmeras divergências socioculturais envolvidas no processo.

2.3.3      Nós de controle – os blocos principais e sensores

As redes de sensores são implementações usuais no desenvolvimento de serviços de controle residenciais dada a pervasiva atuação no ambiente. Costumeiramente nestas redes cada nó é responsável por interpretar variações no ambiente e informar estas alterações ao comando central.

Bolzani propõe a utilização de um modelo auto-organizado de troca de micro agentes, mini pedaços de código que garantem um nível apropriado de controle no próprio nó de controle. Dessa forma, em algumas situações, o nó de controle é capaz de tomar decisões e disparar ações alterando o estado de um atuador local ou mesmo enviar ou requisitar informações de outros nós de controle.

Considerando muito mais que somente os aspectos tecnológicos da plataforma ele destaca 7 blocos principais de reflexão sobre os quais uma plataforma deve prover soluções (BOLZANI, 2010):

  • Rede de Sensores: formada pelos nós de controle, nó de interface, rede doméstica e conversor de mídia;
  • Gerenciador de Serviços: onde todas as entidades de hardware disponibilizam seus serviços no ambiente computacional;
  • Gerenciador de Conhecimento: onde acontece a mineração de dados do histórico de eventos que ocorreram na residência para a geração de informações de alto nível que irão auxiliar os sistemas de controle na tomada de decisões;
  • Sistemas de Controle: onde ocorre o processo decisório que irá, efetivamente, alterar o estado dos atuadores e modificar o ambiente residencial;
  • Aplicações: onde são executados os programas que identificam e reúnem as capacidades funcionais da residência provendo formas de monitoramento e automação dos processos residenciais;
  • Interface com Usuário: por meio dela o usuário pode monitorar e comandar a casa remotamente;
  • Gerenciador Residencial: controla as funções básicas de suporte como relógio, registros, inicialização e encerramento de tarefas, etc.

A plataforma tecnológica desenvolvida por Bolzani apresenta uma interface gráfica sensível ao toque, facilitando a manipulação de técnicos e usuários das configurações e informações disponíveis em uma casa inteligente.

A Home Sapiens é uma plataforma de desenvolvimento e não um sistema de produção. A partir dela é possível o desenvolvimento de uma plataforma também capaz de coletar e tomar decisões com a dinâmica do ambiente local a partir de uma nova perspectiva sociobiodiversificada, a do enxame sustentável, e não somente da partícula, uma casa.

2.3.4      ZigBee e o padrão livre

Para ser passível de computação pública, uma tarefa deve ser divisível em partes independentes cuja relação de computação de dados é alta (caso contrário, o custo de transferência de dados da Internet pode exceder o custo de fazer a computação centralizada). (ANDERSON, 2003, p.5)

ZigBee é um pacote de especificações abertas (não-proprietárias) para comunicação sem fio, projetadas pelo consórcio ZigBee Alliance de modo a permitir a comunicação entre aparelhos sem fio de diferentes fabricantes.

No site do consórcio é possível descobrir detalhes de como o padrão ZigBee permite a implementação de redes de sensores robustas e relativamente imune à interferências, com capacidade de conectar mais de 60.000 dispositivos utilizando a frequência Industrial, Científica e Médica (em inglês na sigla ISM) permitidas para funcionamento em ambiente residenciais. Os dispositivos se dividem em 3 grupos: o de coordenadores, o de roteadores e o de usuários finais (BOLZANI, 2010).

Estas redes são uma ótima solução de baixo custo para um padrão de rede ubíqua na implementação e adaptação em ambientes residenciais inteligentes e são compostas por:

  • Sensores de umidade, temperatura, vento, pressão atmosférica,
  • controle de iluminação, aquecimento, ventilação, irrigação, cancelas, portas e portões;
  • aplicações automotivas e alarmes.

3        Avaliação do Impacto em Biodiversidade e Adoção de Tecnologias em âmbito doméstico

Nos capítulos anteriores descrevemos sucintamente as ciências da inteligência coletiva e as perspectivas de abordagem e análise de redes sociais, seus fenômenos e o conhecimento gerado a partir da interação dos seres humanos, assim como as possibilidades de sistemas automatizados com tecnologia ubíqua capaz de proporcionar uma plataforma tecnológica residencial e quais as formas mais comuns de adaptação destas tecnologias em âmbito doméstico.

Neste capítulo será abordada a Avaliação Ecossistêmica do Milênio e alguns dos seus projetos implementados ao redor do mundo de modo a visualizar criações humanas globais que demonstram a interação de atores sociais que interagem autonomamente na busca de soluções para problemas complexos quanto ao impacto global em biodiversidade.

3.1       A Avaliação Ecossistêmica do Milênio e os Serviços Ecossistêmicos

Compilados com o nome de Avaliação Ecossistêmica do Milênio (MA na sigla em inglês), esta pesquisa encomendada pela Nações Unidas e lançada pelo seu secretário geral Kofi Annan em 2001 teve seus primeiros resultados publicados em 2005, apresentando um conjunto de relatórios que compõe a maior análise de dados já realizada até o momento sobre conhecimentos, literatura científica e dados sobre a situação do planeta Terra.

Esta rede descentralizada de pesquisa iniciou a polêmica padronização das análises ecossistêmicas do planeta a partir de constatações e conclusões que focam suas perspectivas em serviços ambientais, ou os Serviços Ecossistêmicos, a saber: Serviços de Suprimento, Serviços de Regulação, Serviços de Suporte e Serviços Culturais.

“Um impressionante conjunto de novas tecnologias e práticas está disponível sobre alimentos, florestas, energia e setores de gestão de resíduos para empresas dispostas a olhar para o futuro.”[4]

Buscando facilitar as iniciativas multidisciplinares em busca de soluções e implementação de contramedidas ao aquecimento global, estas atividades também são parte integrante de processos globais de incentivo ao desenvolvimento sustentável sob o viés da mercantilização dos recursos naturais.

Estes esforços multi-setoriais (porque não dizer esforços em enxame) são interessantes pois são iniciados em centros privados e distribuem-se em escalas por infindáveis redes sociais nos diversos Estados Nacionais do planeta. Cada grupo de pesquisa-ação participante estabelece suas prioridades e escolhas metodológicas, criando um mosaico da compreensão dos resultados que apresentam breves e diversificadas perspectivas e avaliações da ação e pressão humana ao ambiente nos últimos 50 à 100 anos.

Se por um lado as perspectivas demonstram que motivados pelo consumo exorbitante de recursos o planeta sofre de inúmeras deficiências e desequilíbrios, por outro lado as iniciativas de adaptação às mudanças e comportamentos mais integrados com a natureza se baseiam na intensificação do processo de mercantilização dos recursos. As redes sociais produtivas do planeta com capacidade de liderar o processo são dependentes da mercadoria para a existência de interações sociais, induzindo-as a intensificação dos processos em cenários de crise.

Um dado importante para este trabalho vem de um estudo publicado no MA Ecosystems and Human Well-being: General Synthesis (UN, 2005:13) que sintetizou pesquisas em 17 países e descobriu que 22% da renda familiar de comunidades rurais localizadas em regiões de florestas vem de fontes que geralmente não estão incluídas nas estatísticas nacionais e portanto não são inseridas nos planejamentos de mercado ou governamentais.

As fontes de renda não capturadas pelas pesquisas oficiais são as mais integradas aos costumes locais tais como: a colheita de comida na floresta, a extração cotidiana de lenha e da forragem, a extração e utilização de plantas medicinais e de madeira para diversos fins. São atividades de contato e impacto direto em biodiversidade.

Isso pode significar que a abordagem econômica de pesquisa, captura de informações e estimativas utilizadas atualmente não conseguem abranger integralmente as residências no que tange ao uso, consumo e destinação de recursos naturais.

A tabela 03 a seguir foi extraída do capítulo 27 sobre Sistemas Urbanos do relatório Ecosystems and human well-being – Global Assessment Reports- MA. Ela apresenta os problemas prioritários em sistemas urbanos e as suas relações com os serviços ecossistêmicos em três diferentes escalas espaciais: escala intra-urbana, escala região-urbana e a escala globo-urbano.

Problemas prioritários em sistemas urbanos e serviços ecossistêmicos em três diferentes escalas espaciais

Problema e características

Intra-Urbano (Sistemas Urbanos como habitats humanos)

Região-Urbana (Sistemas Urbanos e suas biosferas)

Globo-Urbano (Sistemas Urbanos e Ecossistemas Globais)

Problema prioritário identificado

Ambientes de vida desagradável e insalumbre

deterioração das relações com os ecossistemas adjacentes

Pegada ecológica excessiva

Áreas urbanas estreitamente associadas pelos problemas

cidades e bairros de baixa renda

grandes cidades, cidades de renda média e cidades industriais

cidades e subúrbios afluentes

Forças motrizes indiretas

Alterações demográficas, desigualdade, comércio e desenvolvimento que ignora a ecologia de doenças infecciosas e serviços dos ecossistemas urbanos

industrialização, motorização, comércio e desenvolvimento que ignora os impactos sobre os ecossistemas adjacentes

riqueza material, geração de resíduos, comércio e desenvolvimento que ignora os impactos ambientais globais

Forças motrizes diretas

Acesso inadequado das famílias à água potável, degradação de águas subterrâneas, a poluição dos rios, pilhagem de recursos, as pressões do uso da terra

poluição do ar do ambiente, degradação de águas subterrâneas, a poluição dos rios, pilhagem de recursos, as pressões do uso da terra

as emissões de gases de efeito estufa, a importação de recursos e bens de resíduos intensivos (fluxos lineares vs circulares)

Impactos negativos associado ao problema

propagação de doenças infecciosas, perda de bem-estar e dignidade humana

perda dos serviços dos ecossistemas naturais, doenças “modernas”, a produtividade do agroecossistema entra em declínio

mudança climática global, perda da biodiversidade, o esgotamento de recursos naturais escassos no mundo

Caracterização temporal dos processos-chave

rápida

viariável

lenta

Exemplo de resposta relevante historicamente

reforma sanitária

controles de poluição

cidades sustentáveis?

Tabela 03: Millennium Ecosystem Assessment.2003. Vol. 1 Cap 27 Tabela 27.9. Island Press, Washington, D.C., USA.

 

A melhor situação acontece na escala Intra-Urbano, onde pobreza é causadora de ambiente de vida desagradável e insalubre, mas estas características se mantém em piora com agravantes nas escalas superiores: deteriorização dos ecossistemas adjacentes e pegada ecológica excessiva, indicadora de explotação de recursos e que abre uma série de necessidades de maior integração com os ecossistemas adjacentes e redução nos padrões de produção e consumo.

Todas as publicações do MA renderiam inúmeras avaliações possíveis porém vamos nos atentar a uma delas, detalhadas na tabela 04 e dizem respeito somente ao que tange às forças motrizes indiretas dos problemas de sistemas urbanos: a ignorância sobre os processos ecossistêmicos está presente nas três escalas espaciais.

Tabela 04: Forças Motrizes Indiretas do Problemas Prioritários em sistemas urbanos e serviços ecossistêmicos

Forças motrizes indiretas

Alterações demográficas, desigualdade, comércio e desenvolvimento que ignora a ecologia de doenças infecciosas e serviços dos ecossistemas urbanos

industrialização, motorização, comércio e desenvolvimento que ignora os impactos sobre os ecossistemas adjacentes

riqueza material, geração de resíduos, comércio e desenvolvimento que ignora os impactos ambientais globais

 

É necessário encontrar modelos de atividades para a diminuição desta ignorância global e as próximas letras tratam de exemplos práticos que se propõe, em rede, a criar mecanismos autorganizados para a diminuição do impacto do ser humano no planeta. Os desdobramentos da compreensão e tomada de atitude perante estes e  outros dados alarmantes podem indicar quais as melhores práticas adotadas localmente por coletivos desejosos do melhor para sua população.

 

3.1.1      Desdobramentos da Avaliação Ecossistêmica do Milênio

São inúmeras as aplicações da MA e um número muito grande de pesquisas e diagnósticos foram criados a partir dele em todos os países participantes das Nações Unidas (ONU), merecendo atenção especial no levantamento de linhas estratégicas de atuação e enfrentamento, ou adaptação, a um cenário futuro de carência, de graves conflitos e dificuldades para a população planetária no que tange a perspectiva de qualidade de vida.

Mas como criar estas redes domésticas em escala global? Conectando e compartilhando gratuitamente as boas práticas, não há tempo a perder.

Um dos exemplos onde a sociedade de uma maneira geral se engaja na busca de soluções que elas próprias organizam com base em suas redes sociais é o processo iniciado no final do ano de 2012 pelo Ministério Japonês do Meio Ambiente que realizou a sexta edição do prêmio para as melhores práticas com o objetivo de homenagear indivíduos e organizações que realizam colaborações significativas para a prevenção do aquecimento global, integrando assim esta honraria aos desdobramentos do MA.

Foram premiados 30 projetos dos 160 inscritos  em 2012, que são categorizados com 32 propostas em Desenvolvimento Tecnológico e Comercialização, 18 projetos em Introdução e Disseminação de Tecnologias de Contramedidas, 39 aplicações de Implementação de Contramedidas, 69 projetos de Educação Ambiental, Disseminação e Iluminação e 2 contribuições internacionais (dados do Environment Minister’s Award for Global Warming Prevention Activity, 2012).

Aprofundando foram escolhidos exemplos destes 160 projetos pois tem o seu foco em residências e demonstram possibilidades de implementação de contramedidas com estratégias localmente instituídas. A iniciativa é encontrada na categoria de Implementação de Contramedidas.

As casas construídas pela empresa japonesa Ecoworks são modelos exemplares de economia de energia em uma habitação. Apoiada pelo Ministério de Terra, Infra-Estrutura, Transporte e Turismo do Governo do Japão a Ecoworks é uma construtora local com perspectivas de se tornar um negócio pioneiro para redução da emissão gás carbônico na construção de edifícios (Environment Minister’s Award for Global Warming Prevention Activity 2012).

Desde o ano de 2009 a empresa fornece treinamento para funcionários do governo japonês e diagnósticos apurados do status de implementação das construções. No segundo ano após o início do contrato a empresa expandiu suas atividades para 33 construtoras regionais em todo o Japão, contribuindo para a divulgação nacional de uma iniciativa de residências eficientes energeticamente.

Também na mesma categoria encontramos o projeto da Ohimsama Shinpo Energy Co. Ltd na cidade de Nagano. Financiado por investimentos dos próprios moradores o projeto de tem foco na criação de energia e na economia da mesma. A cidade tem abundância de Sol e energia térmica gerada a partir queima da biomassa da madeira. Junto à utilização de painéis solares distribuídos pela cidade conseguiu uma economia de 836 toneladas na sua emissão de carbono na atmosfera em um ano.

Todos os outros 158 projetos podem ser extremamente interessantes e infelizmente apenas alguns foram premiados. Um deles chama atenção pela simplicidade e pelo potencial de conectividade com diversas áreas do possível em adaptações locais residenciais com preocupações globais.

É o projeto do Conselho Municipal de Meio Ambiente da cidade de Higashi-Kurume que tem como base da sua filosofia algo que pode ser encarado como o lema de uma cidade ambiciosa pelo título de baixo-carbono: “conservar o meio ambiente de nossa cidade por nós mesmos”.

São inúmeras as iniciativas do plano da cidade, entre elas as clássicas otimização e redução de consumo de energia em prédios públicos e residências e incentivo a produção local de energia através de pequenas hidrelétricas que geram energia até partir de águas de nascentes. A ambição ou necessidade é tamanha que não há tempo para esperar a formação do rio ou afluente para a utilização do “serviço”.

Há projetos educacionais em colaboração com grupos de ação municipais e regionais, escolas e associações agrícolas onde também ensinam os cálculos necessários para que uma família possa planejar seu manejo e economia de recursos. As integrações e trocas com regiões próximas chegaram a Tóquio e a expansão e integração do projeto com outras áreas temáticas ou regiões do país podem ser previstas para um futuro próximo.

A partir destes exemplos que foram colhidos somente em um país, o Japão, podemos inferir que uma grande preocupação das cidades com o futuro é a sua provisão e que é desejável a possibilidade de conexão e diálogo com outros aglomerados humanos que tem as mesmas necessidades.

 

 

 

3.1.2      Avaliando Impactos em biodiversidade

A humanidade precisa de muito mais do que plataformas online de colaboração e programas em rede capazes de produzir e distribuir facilmente informações sobre protótipos eficazes para a adaptação perante os desafios das mudanças globais e das desigualdades sociais, eternos em nosso mundo historicamente conhecido.

É necessário informação para desenvolver protocolos, sistemas, protótipos, políticas e produtos tecnológicos capazes de oferecer condições reais de implementação de iniciativas de swarm tecnológico pró-ativo em biodiversidade, um biotechnoswarm.

Redes enxameadas autônoma e globalmente conectadas poderiam nos apresentar indicadores mais precisos para o manejo dos recursos naturais da Terra, resolvendo esta lacuna de informação com sistemas capazes de se comunicarem e estender sua capacidade de conexão para serem utilizadas por sistemas operacionais e de gestão de informações.

Há a necessidade de serem identificadas e avaliadas as diferentes metodologias de avaliação, principalmente dos serviços de regulação. Estas metodologias são necessárias para fornecer orientações sobre as principais questões que precisam ser tratadas e consideradas em sua aplicação integrada aos princípios tratados nos capítulos anteriores.

Ao final apresentaremos a ferramenta ARIES de valoração de serviços ambientais disponível na publicação “Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos: a experiência das empresas brasileiras”, do Conselho Empresarial Brasileiro (CEBDS).

 

3.1.2.1     Ferramentas para a gestão da biodiversidade

O “Manual de Gestão da Biodiversidade pelas Empresas – Guia prático de implementação” (de autoria do Prof. Dr. Stefan Schaltegger, Uwe Beständig Centro para a Gestão da Sustentabilidade, Leuphana University Lüneburg ) é um manual que delineia uma série de ferramentas testadas e aprovadas para uso na gestão da biodiversidade, bem como outras que podem ser adaptadas para ajudar as empresas a atingir metas de biodiversidade.

Ele recomenda o uso de um ciclo de gestão sistemática baseado na sequencia: Planejar – Fazer – Verificar – Agir. Este ciclo de gestão pode ser encontrado no “Esquema de Gestão Ecológica e Auditoria” (Eco-Management and Audit Scheme– EMAS) ou na ISO 14000.

Este estudo também lista uma série diversa de ferramentas de gestão que podem ser utilizadas de modo combinado para a gestão da biodiversidade em unidades residenciais.

  • Análise ABC
  • Sistemas de incentivo e orçamentação
  • Auditoria da biodiversidade
  • Marcos de referência da biodiversidade
  • Livretos e folhetos
  • Listas de conferência
  • Voluntariado na empresa
  • Análise de eficiência
  • Indicadores e relações-chave
  • Comércio interno de locais de construção e/ou emissões
  • Políticas, códigos de conduta, diretrizes e instruções na empresa
  • Avaliação de fornecedores
  • Acordos com fornecedores
  • Contabilidade do fluxo de matérias primas e energia
  • Medidas de compensação
  • Rotulagem ecológica
  • Contabilidade ambiental
  • Certificação da cadeia de custódia
  • Treinamento
  • Patrocínio
  • Diálogo com partes interessadas externas
  • Análise de cenários
  • Gestão da cadeia de abastecimento ecológica
  • Análise SWOT
  • Estudo de Impacto Ambiental (EIA)
  • Programa de sugestões

Acreditamos que com a valoração dos serviços socioambientais de uma região e a utilização de tecnologias e dados disponíveis é possível estimular os comportamentos que minimizarão os impactos em biodiversidade dos aglomerados residenciais. Atuando em enxames estes aglomerados podem construir cidades sustentáveis.

Cada casa inteligente é responsável pela gestão de um conjunto de fatores de impacto em biodiversidade, aqueles os quais está adaptada tecnologicamente. Quando atuando em rede com outras casas inteligentes podem se aglomerar para realizar funções mais complexas atuando em interações com os vizinhos.


Cobrindo e conectando biorregiões estes aglomerados tem um ótimo potencial para a execução das melhores práticas e de menor impacto em biodiversidade, podendo até mesmo a orientar ajustes em termos de adequações nos programas de meio ambiente e sustentabilidade que integram processos tecnológicos globais. Podem atuar como um grande enxame pró biodiversidade.

 

Figura 05 – Tipologia da rede de casas inteligentes a serviço da biodiversidade

 

A figura 05 demonstra a tipologia da rede de casas inteligentes capazes de prover informações e serviços ecossistêmicos, interagindo com seus vizinhos e com as comunidades adjacentes na formação de enxames.

 

Figura 06 – Ilustração das conexões entre todas as casas inteligentes da rede

 

A figura 06 detalha mais claramente a distribuição da capacidade computacional do sistema e as possibilidades de interações entre os seres vivos destas casas tendendo ao nível máximo, onde todas as casas inteligentes estão conectadas entre si permitindo a implementação de estratégias e plataformas tecnológicas aptas a trabalhar com o conjunto das necessidades de todos os agentes.

 

3.1.2.2     Inteligência Artificial para Serviços Ecossistêmicos (Artificial Intelligence for Ecosystem Services – ARIES)

 

O destaque para esta ferramenta é para o fato de que ela é baseada na internet, está disponível e em constante desenvolvimento. Ela permite a sua utilização global para a estimativa de valor dos serviços ecossistêmicos da localidade desejada, oferecendo suporte para seus usuários descobrirem, compreenderem e quantificarem os ativos ambientais e os fatores que influenciam os seus valores, com modelos especificos para áreas distintas e projetos personalizados.

Ela pode ser interessante para a utilização ou inspiração da plataforma tecnológica necessária para suportar um enxame de casas inteligentes, sempre levando em consideração de que o melhor para a população global é a cooperação.

Desenvolvido em consórcio pelo Instituto de Ecologia (INECOL), UNEP (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), WCMC (Centro Mundial de Monitoramento da Conservação), Universidade de Vermont, Centro Basco para Mudanças Climáticas, Conservação Internacional e Earth Economics.

A quem se destina:

Pesquisadores, organizações não governamentais, agências de governo, empresas, planejadores e gestores de uso da terra, formuladores de políticas públicas, professores e estudantes. Conjunto de aplicações para mapear e quantificar os fluxos de SE desde sua fonte até os usuários finais.

Pra que serve:

Auxilia os usuários em estudos de base, assim como na avaliação de impactos de diferentes cenários futuros.

Quais as principais características da ferramenta:

i.         Customizável Baseado na web;

ii.         Oferece análise de cenários e modelagem;

iii.         Realiza estimativas em condições de escassez de dados;

iv.         Espacialmente explícito.

Acesso em: ariesonline.org

 

3.1.2.3     Os serviços ecossistêmicos que enxames de casas inteligentes podem prestar

A abordagem escolhida neste ponto do trabalho foi a identificação das categorias de serviços ecossistêmicos que podem ser prestadas em um enxame de residências, aquelas de mais alto nível de impacto em cenários desvantajosos da vida cotidiana, podendo causar a morte de comunidades inteiras quando em situação de falência.

Compreendendo a integralidade ecossistêmica, a abordagem das casas inteligentes deve dar preferência aos serviços de suprimento dado que eles são os que apresentam os maiores potenciais de mediação por fatores socioeconômicos de acordo com o MA, o que significa que ajustes finos nestes processos garantirão a sobrevivência de mais seres vivos (incluso os seres humanos) e a garantia de esforço total pela segurança do planeta Terra. Segue as quatro macro categorias de  serviços ecossistêmicos:

  • Serviços de suprimento
    • Abrangem a produção de matérias primas elementares, como água potável, alimentos, fontes de energia e medicamentos.
    • Serviços de regulação
      • Os ecossistemas desempenham um papel fundamental na regulação do clima e de eventos extremos, como inundações; na purificação da água; na constituição de uma barreira e na decomposição de substâncias nocivas.
      • Serviços culturais
        • Abrangem uma variada gama de funções voltadas para  a civilização, ao servir de fonte de inspiração estética, emocional ou espiritual, proporcionar oportunidades de lazer e servir como modelo para descobertas científicas (biônica).
        • Serviços de suporte
          • Os ecossistemas suportam diferentes atividades produtivas por meio da manutenção do ciclo da água e da fertilidade do solo, bem como mediante a produção de biomassa e alimentos

O framework metodológico do MA aponta que no que tange a residência  estes serviços estão ligados diretamente ao item “Materiais Básicos para a vida boa” que visam garantir dentre as categorias dos Componentes de Bem-Estar:

  • Subsistência adequada
  • Alimentos nutritivos e suficientes
  • Abrigo
  • Acesso aos produtos

É possível encontrar abundância de correlações entre o universo das escolhas na gestão de uma residência em todos os 4 grupos de serviços ecossistêmicos capazes de serem identificados, descritos e ter suas funcionalidades reconhecidas. São temas presentes nas residência e que em escala global sofrem problemas de má gestão. Alimentos, energia, Fibras e matéria-prima, fitofármacos e bioquímicos, recursos genéticos, flora urbana e água potável são exemplos destes serviços.

Vale ressaltar que um serviço é considerado ecossistêmico quando é resultado e os resultantes das complexas interações bióticas e abióticas é regido por forças universais da matéria e energia, quando eles garantem a sobrevivência das espécies e quando provém bens e serviços que satisfaçam as necessidades humanas direta e indiretamente. O conceito é normatizado pela Convenção da Diversidade Biológica (CDB) no relatório do PNUMA chamado Multilateral Enviromental Agreements presente no MA.

3.1.3        Campos característicos da atuação em rede distribuída das casas inteligentes

A concepção dos enxames de casas inteligentes pode estimular pesquisas e projetos que tenham a perspectiva de integrar tecnologia com saberes sociais em diversos setores da sociedade, em âmbito local ou global.


Estas iniciativas devem distribuir seus esforços em quatro aspectos que forma os campos característicos da avaliação de impacto em biodiversidade. Os aspectos ambientais, tecnológicos e comportamentais são os mais práticos e ativos entre si. Nestes aspectos acontecem a transformação da realidade física, do ambiente.

 

 

Figura 07 – Os quatro campos característicos da avaliação de impacto tecnológico em biodiversidade

Podemos visualizar na figura 06 um esquema gráfico que abrange os quatro aspectos temáticos da atuação em rede distribuída das casas inteligentes. Compreendendo que o padrão de organização da infraestrutura necessária para a sua implementação é o de rede, as casas podem ser integradas em suas vizinhanças utilizando-se da tipologia de anel e quando em escalas maiores, podendo ser global, a tipologia é a de estrela. Híbridos e outras alternativas são itens de criatividade e busca de soluções ótimas também.

Os aspectos ambientais podem ser encarados na forma de conteúdo da plataforma de experiências em rede, onde tudo o que diz respeito à casa e aos impactos em biodiversidade deve ser compreendido. Durante esta pesquisa as abordagens sobre esta perspectivas estão mais estruturas nos itens sobre a Avaliação Ecossistêmica do Milênio deste capítulo.

Nos aspectos tecnológicos a reflexão é sobre a plataforma em si, a infraestrutura tecnológica para a implementação da experiência e a análise do modo de absorção das casas quanto às inovações em sua cultura doméstica como bem definido no segundo capítulo quando tratamos de Domótica.

Nos campos característicos dos aspectos comportamentais o foco é a experiência, o uso prático do conhecimento. Neste campo as orientações destacam itens encontrados nas ciências que educam sobre o ambiente, sobre o indivíduo e os motivos de sua existência necessariamente integrada. Aqui esperamos uma pessoa focada em seu pbest e alinhada com o gbest.

Nos campos dos aspectos organizacionais é possível que aconteça a política, as relações entre os seres. A pauta quando a assunto tratado era o netweaving girou entorno do poder das redes sociais distribuídas.

A seguir temos os aspectos e os itens iniciais de sustentação necessários para a implementação de plataformas tecnológicas de experiências em rede a serviço da biodiversidade:

 

Aspectos Organizacionais

Análise quanto ao nível de distribuição da rede e de adesão em clusters

  • impacto nos Serviços Ecossistêmicos culturais
  • Tipologia e reconhecimento das redes
  • Modelo de e-Governança

Aspectos Ambientais

Análise e avaliação quanto ao impacto em biodiversidade que determinado aglomerado humano apresenta nos seguintes serviços ecossistêmicos:

  • Serviços Ecossistêmicos de suprimento
  • Serviços Ecossistêmicos de regulação
  • Serviços Ecossistêmicos de suporte

 

Aspectos Tecnológicos

Análise quanto a integração tecnológica com outros serviços globais, dispositivos e disponibilidade. Para a implementação de enxames de casas inteligentes é necessário definir os blocos principais do desenvolvimento de plataformas residenciais.

  • Rede de Sensores – formada pelos nós de controle, nó de interface, rede doméstica e conversor de mídia;
  • Gerenciador de Serviços – onde todas as entidades de hardware disponibilizam seus serviços no ambiente computacional;
  • Gerenciador de Conhecimento – onde acontece a mineração de dados do histórico de eventos que ocorreram na residência para a geração de informações de alto nível que irão auxiliar os sistemas de controle na tomada de decisões;
  • Sistemas de Controle – onde ocorre o processo decisório que irá, efetivamente, alterar o estado dos atuadores e modificar o ambiente residencial;
  • Aplicações – onde são executados os programas que identificam e reúnem as capacidades funcionais da residência provendo formas de monitoramento e automação dos processos residenciais;
  • Interface com Usuário – por meio dela o usuário pode monitorar e comandar a casa remotamente;
  • Gerenciador Residencial – controla as funções básicas de suporte como relógio, registros, inicialização e encerramento de tarefas, etc.
  • Plataforma de execução – controla os processos digitais de interação e e-Governança.

 

Aspectos Comportamentais

Análise quanto a aderência aos princípios do swarm intelligence. As tarefas para os enxames são:

  • gestão local e global no uso dos recursos naturais
  • otimizar a execução e proteção aos serviços ecossistêmicos
  • melhores práticas nas construções das unidades de vida humana, as residências

 

Assim esperamos que os enxames das casas inteligentes utilizem-se de sua enorme capacidade de registro de informações e agreguem às suas funcionalidades a capacidade de refletir sobre o impacto causado em biodiversidade.

 

 

4        CONCLUSÃO

Plataformas para casas inteligentes são possíveis no presente e com elas podemos redesenhar o futuro dos ecossistemas do planeta. Plataformas de desenvolvimento de aplicações residenciais como a Home Sapiens também são passíveis de serem adaptadas em praticamente todas as casas humanas já existentes.

As casas estão cada uma em determinado local no espaço e juntas em todo o planeta. A dinâmica natural dos aglomerados humanos (e de suas casas) tem causado impactos negativos no ambiente e muito se deve a ausência de projetos e planejamentos específicos que sejam capazes de integrar a tecnologia com a biodiversidade.

As casas somente poderão contribuir para a sustentabilidade se desenvolvidas, adaptadas e implementadas com cuidado irrestrito de seu impacto nos ecossistemas e, como aprendemos com a SI, quando a partícula buscar o melhor para si e para a população global, ou seja, quando a casa for produtora do melhor para si e para o planeta.

Também encontramos a preocupação social e coletiva, a criatividade nas busca de liberdade de relações para manter o ser humano livre de suas mazelas nos estudos sobre o comportamento social humano, o netweaving.

O fenômeno social casa não acontece isoladamente, é um conjunto histórico de conhecimentos de sucessivas experiências coletivas, enxameadas por todo o planeta. Pudemos encontrar pistas para uma futura construção de conceitos e aplicações práticas entorno do ponto ótimo de utilização das tecnologias disponíveis para a interação do ser humano com o ambiente.

Partindo em busca da casa inteligente podemos encontrar soluções para os destruidores impactos na biodiversidade dos atuais aglomerado humanos. Na prospecção dos principais caminhos da tecnologia, nos nós de controle e suas micro-regras, encontramos sabedoria que orienta o desenvolvimento de uma plataforma residencial capaz de gerenciar as fontes dos impactos em biodiversidade das principais das atividades caseiras.

A capacidade adaptativa dos padrões tecnológicos são promissores. O ZigBee e outros padrões livres utilizados na plataforma Home Sapiens dão às casas inteligentes condições de estimular mudanças e encontrar caminhos sem dificuldades de relação com o ambiente.

Quando a pesquisa buscou na Avaliação Ecossistêmica do Milênio subsídios para a reflexão sobre os fenômenos das redes autônomas encontrou atividades buscando solução para problemas complexos da avaliação global foi possível elaborar uma série elementos essenciais para o planejamento de atividades públicas ou privadas com uma compreensão adequada das dinâmicas socioambientais contemporâneas.

É a capacidade de síntese na prática dos conhecimentos, habilidades e atitudes que determinados aglomerados têm nos mecanismos pré-estabelecidos de adaptação à situações de variação positiva ou negativa, aquilo que possibilitará a felicidade de viver em seu local.

Este conjunto de experiências acumuladas ao longo dos séculos encontrado na inteligência coletiva somado à capacidade de implementação e utilização de soluções tecnológicas para a resolução de problemas cotidianos proporciona ao ser humano um ambiente de vida repleto de tecnologia, saberes e aprendizado sobre os quais ele não necessita conhecer profundamente para poder usufruir e replicar. A este enxame de arte que satisfaz absorção da tecnologia na vida humana é possível o nome de biotechnoswarm.

 

4.1       SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

As oportunidades de pesquisas aprofundando as estruturas sociais e tecnológicas aqui descritas são  necessárias para a necessária objetividade dos enxames residenciais. Há a possibilidade de projetos em três setores os quais são imprescindíveis para a efetivação de uma rede social abordando o tema.

 

Governos e prioridades nacionais

Enxames de casas inteligentes podem influenciar respostas e prevenção à desastres ou situações de emergência, fortalecendo a segurança da comunidade quanto a prioridades nacionais:

  • Saúde, energia, educação, governo eletrônico
  • consciência ambiental, sociobiodiversidade,
  • iniciativas nacionais de interação habitacional e social

 

Universidades

Estudos científicos podem nos responder como é que as redes sociais evoluem e como podemos ampliar a participação.

  • Adicionando cursos e programas na graduação
  • Auxiliando os governos locais e federais na elaboração de políticas de implementação
  • Criando perspectivas de futuro e ampliando a resiliência humana

 

Indústrias e ONG´s

Tecnologias inovadoras escaláveis, confiáveis, universais e gerenciáveis que podem oferecer aos investigadores acesso a dados preciosos dos consumidores. É também uma oportunidade para desenvolver plataformas de infraestrutura e análise de grandes dados.

  • Proteger a privacidade, inibir os ataques e se possível resolver conflitos
  • oferecer aos investigadores acesso a dados
  • desenvolver plataformas de execução, de infraestrutura e análise para residências e dados obtidos pelos enxames de casas

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

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YAKAL, K. The computerized home. COMPUTE!, n. 70, p. 26, 1986.

 

 

APÊNDICE A – Cenários de aderência e redução do impacto em biodiversidade

 

Cenários dos Enxame de Casas Inteligentes

Este apêndice apresenta 5 cenários com a aplicação dos princípios do netweaving e da SI ao orientar o desenvolvimento de idéias para uso das plataformas de casas inteligentes. Os cenários visam aplicar determinados princípios da SI na orientação em pontos específicos da auto-organização dos elementos de uma rede sistêmica de casas enxameadas a serviço da biodiversidade.

Utilizaremos como paradigma comportamental o stigmergy, que é um mecanismo indireto de coordenação entre agentes ou ações cujo essência é que traços deixados no ambiente estimulam novas ações. Dado que o ser humano se organiza em redes sociais, acreditamos que o impacto de sua implementações pode ser integrado positivamente à ciclos da natureza.

Cenário 1 – Heterogeneidade na exploração do ambiente  no século XXI

Princípio da Heterogeneidade

Dado que o sistema baseado em multi-agentes pode ser heterogêneo ele pode utilizar-se de elementos especializados em determinadas tarefas.

 

O forrageamento é uma atividade de seleção, corte e transporte de pequenos pedaços de vegetais para o interior de uma colônia. Algumas espécies também podem se alimentar de insetos vivos ou mortos e carcaças. Cada espécie têm um horário preferencial específico, com movimentos orientados química ou fisicamente (Della Lúcia et al. 1993)[5].

As ações dos insetos sociais reconhecem uma vasta área territorial e as ações produtivas não são coordenadas por um comandante-em-chefe, nem menos pela rainha. Eles também não são dotados de um instinto secreto que lhes instiga a sabedoria ancestral carregada pelo código genético para construir edifícios gigantes, cadeias e túneis complexos de alimentação e eliminação de resíduos, busca e colheita de alimentos por distâncias de até 1,5 km no caso de algumas formigas.

Do início ao fim de qualquer dia de trabalho os eussociais não precisam invocar seus conhecimentos sobre todo o seu mundo, ou se reunir para processar informações sobre a melhor escolha em seu trabalho e sua comunidade dado que seu comportamento é dependente do estado imediato de seu ambiente. A essa reação latente ao estado do ambiente dá-se o nome de stigmergy, que é um mecanismo indireto de coordenação entre agentes ou ações cujo princípio é o de que traços deixados no ambiente estimulam novas ações.

Que maravilha seria, por exemplo, que o resíduo descartado em qualquer lugar do planeta fosse reinserido ao ciclo energético por mecanismos auto-organizados capazes de ações de resposta coerentes, inteligentes e colaborativas sem a necessidade de comunicação direta entre os agentes. Basta encontrar elementos especializados e ambiciosos para cada tarefa.

Sistemas habitacionais auto-organizados via stigmergy podem funcionar com micro-regras simples em tecnologias baseadas na IoTS onde cada coisa e cada ponto da cadeia interconectada é, por coerência com sua essência, desencadeadora de uma série de novas e já conhecidas ações e ou outros serviços necessários e que possam ser, em cenários de alta complexidade, criadoras de soluções e conexões positivas capazes de garantir a qualidade, eficiência e o cumprimento do objetivo coletivo – impacto humano positivo nos ciclos da Terra.

Os mecanismos orientados pelo padrão stigmergy selecionados para a programação de cada elemento do enxame de casas inteligentes garantirão que os resíduos plásticos, orgânicos, vidro e metais ou outros resíduos domésticos tenham seu destino apropriado garantido pela seleção precisa em termos de volume, tempo de acondicionamento, capacidade de reuso interno, segurança, entre outras funções disponíveis para sensores e atuadores) e que permitirá que os itens triados sejam encaminhados eficientemente para sistemas que atendam aglomerados de maior escala como comunidades, bairros e cidades quiçá também países e continentes.

É possível um caminho personalizado para cada ecossistema onde não é necessário o estabelecimento de técnicas ilimitadas ao aparato de rastreamento com código de barras cujo processo de leitura cria demandas específicas para o controle centralizado, vide experiências e iniciativas atuais que utilizam frequências de rádio (RFID),  chips e microprocessadores em todos os seres, bens e coisas do mundo que possam emitir sinal para o mesmo ponto central, ampliando a capacidades da IoTS.

Um exemplo artificial atual do uso de mecanismos semelhantes ao funcionamento do stigmergy é o sucesso do ranking de opinião por localidade provocado após a maturidade dos mecanismos de georreferenciamento disponíveis via internet para vários dispositivos. Em setembro de 2011 o Foursquare (serviço de compartilhamento georreferenciado criado em 2009) ultrapassou a marca de 1 bilhão de atualizações em seu jogo que conecta o usuário através de marcações que valem pontos e que estimula o compartilhamento social da visita, criando rastros visíveis e classificáveis no ambiente virtual. Quanto maior o  ranking, mais conhecedor e experiente é o indivíduo, distinguindo-o da miríade de usuários e criando guias globais de um estilo de vida, o conectado.

O sistema de reclassificação é reiniciado semanalmente e toda a base de dados é produzida pelos usuários. Conectado na rede um indivíduo pode descobrir novos lugares de acordo com suas preferências personalizadas, suas conexões previamente estabelecidas, a pontuação anterior dos lugares visitados – você segue os rastros deixados no ambiente pelos seres humanos que por ali passaram no passado e também pode forragear. Todas as micro-regras utilizadas em cada elemento da plataforma são suportadas por mapas e sistemas classificatórios públicos e privados.

Diferentemente dos cupins que instigaram Pierre-Paul Grasse em 1959 ao cunhar o termo, stigmergy para os seres humanos pode ser um mecanismo que inspira movimentos e ações sem a orientação biológica dos feronômios.

Nos aglomerados humanos alguns estímulos mediados tecnológica e ubiquamente conectados variam de acordo com o dispositivo disponível e com qual rede de trabalho está integrado. Seja em ambientes privados ou públicos, o estímulo é influenciado pelo fetiche e poder de compra do indivíduo. Estes estímulos se organizam stigmergically quando criam condições para a concretização de conexões dinâmicas entre os indivíduos que detém acesso à rede. Podem ser trafegados via internet, sms e mídias sociais, frequências de rádio, comunicadores e uma gama larga e finita de tecnologias e consequentemente diferentes dispositivos.

Um exemplo: aquele indivíduo que não possui um smarthphone ou tablet ou qualquer outro aparelho ágil equivalente e terá muitas dificuldades de jogar o Foursquare. Imaginando uma construção cotidiana possível, há inúmeras marcações (conhecidas publicamente como “check-in”) que são fáceis e simples somente quando automatizadas e com design apropriado à dispositivos ubíquos. Sair de casa antes do Sol nascer e chegar ao Aeroporto, tomar um café na praça de alimentação, depois comprar um par novo de sapatos e em algumas horas depois vislumbrar a partir das alturas o descenso do pouso no destino litorâneo só pode ser jogado online se for fácil jogar.

As cinco marcações que seriam realizadas ubiquamente pelo indivíduo do exemplo no jogo Foursquare e possíveis de pontuação seriam: (1) check-in na residência, (2) check-in no aeroporto de embarque, (3) check-in na cafeteria, (4) check-in na loja de sapatos e (5) check-in no aeroporto de destino. Elas são 5 possíveis e simples em dispositivos ubíquos portáteis e autônomos porém complicadíssimas se dependessem dos telecentros públicos de acesso e inclusão digital.

Há também todos os comentários sobre o café e o alimento consumido (enquanto mastiga pode pesquisar quantas calorias consome naquelas mordidas), os sapatos disponíveis e o atendimento em todos os serviços consumidos durante a viagem, registro públicos de lembranças amorosas de um passado recente e as opiniões sobre o assunto mais compartilhado da manhã.

São muitas possibilidades de interação possível em pontos distintos dos trajetos curtos, de uma hora ou menos até. E assim você pode contar com as experiências humanas anteriores para ser mais produtivo quanto aos seus interesses e trajetória no espaço.

Em qualquer atividade o indivíduo deseja se sentir à vontade, confortável como em casa e preparado para a execução de suas tarefas contemporâneas. A ubiquidade facilita isso. Porém  é a disponibilidade do dispositivo e sua autonomia, o respeito às suas micro-regras, que permitem estímulos para criações dinâmicas coletivas e descoberta de recursos disponíveis para a máxima eficácia na exploração do ambiente.

Cenário 2 – Escalabilidade das casas inteligentes enxameadas pode regular microclimas

Princípio da Escalabilidade

O princípio da escalabilidade atenta para o fato de que o padrão de organização das partículas (as casas) criam baixa sobrecarga tanto na comunicação quanto no processamento, permitindo ganhos na complexidade necessária para enfrentar os problemas atuais.

 

Atualmente os microclimas são indicados como os principais fatores abióticos determinantes dos padrões de atividade dos ecossistemas globais (Kaspari & Weiser, 2000).

Compreendendo a força desta afirmação podemos refletir que a intervenção humana nestes microclimas afeta a dinâmica global dos ecossistemas.

O cupim é realmente simbólico, figura presente em qualquer palestra básica sobre inteligência coletiva também pode ser exemplo do princípio da escalabilidade graças as suas incríveis construções e surpreendentes exemplos do swarming (enxameamento) que podem ser visualizadas na espécie Macrotermes bellicosus, uma das 2000 espécies de cupim que é capaz de construir colônias de alta complexidade e tamanho considerável até para proporções humanas.

Suas estruturas chegam a suportar 1 bilhão de indivíduos, cobrindo estruturas de armazenamento de provisões, de suporte e regulação de até 100 metros de distância do ninho central. Toda a conexão com estas estruturas de armazenamento é acessada por trilhas e pistas que podem ser cobertas para facilitar o transporte de materiais e as protegerem de predadores como sapos, aranhas, tamanduás e lagartos. Transformam a arquitetura interna do seu ninho frequentemente, adaptando-a de acordo com o desenvolvimento da colônia.

Estes cupins não tem um plano mestre de desenvolvimento ou muito menos seguem ordens de uma casta selecionada e privilegiada da espécie. Seguindo os traçados na interação com o ambiente estes macrotermes constróem as condições ideais para sua comunidade de acordo com suas necessidades do momento e sua principal medida preventiva é a integração com a natureza, podendo desenvolver em escala sua comunidade e manter-se suprido e integrado ao ecossistema.

Nas redes humanas integradas ubiquamente e inspiradas nos cupinzeiros todas as casas e residências de um determinado aglomerado poderiam estabelecer conexões entre si capazes de suportar uma cadeia de parte dos serviços ecossistêmicos de suporte e de regulação dos quais necessitam.

Em cidades e metrópoles de grande porte isso significa que a responsabilidade da produção destes serviços não será neglicenciada ao campo ou à políticas públicas como as setoriais de segurança alimentar, por exemplo. Nas grandes cidades os ambiente dos seres humanos também poderiam ser construídos para o melhor de toda a população beneficiada pelo ambiente.

 

Telhados, quintais, paredes, grandes construções, estacionamentos e qualquer espaço urbano pode cooperar com os serviços ecossistêmicos seja na produção em diferentes escalas dos serviços, seja suportando as redes enxameadas de comunicação necessárias para a coleta de informações que orientarão as decisões ecossistêmicas humanas.

Túneis e escavações também seriam fertilizadores do solo, sistemas coletores seriam integrados a sistemas polinizadores de espécies nativas, flores, alimentos, o grandes prédios e sistemas de ar condicionado poderiam também ser purificadores do ar, os canos que descarregam todo o esgoto doméstico poderiam ser purificadores de água e capilarizadores de afluentes, controladores de enchentes e erosões assim como a vegetação adequada nestes ambiente poderia ser inibidora de pragas e doenças infecciosas sem o extermínio da vida com bactericidas e pesticidas.

São necessárias informações de inúmeros sensores e nós de controle integrados na disponibilidade dos dados para que os aglomerados de casas possam vir a se auto-organizar, regulados pelo ambiente que os cercam na busca do melhor para a população ecossistêmica.

 

 

Cenário 3 – A robustez recompondo o fundo do mar

Princípio da Robustez

A possibilidade de redundância na programação de um enxame garante maior robustez dado que elimina a possibilidade caso o sistema suportado por um só agente apresente falhas. Em um enxame mesmo que alguns elementos falhem o restante é capaz de cumprir a tarefa.

 

Um enxame de manejo das florestas, das cidades, das metrópoles.

Um dos melhores exemplos a implementação em âmbito macro da utilidade prática das micro-regras em sistemas automatizados de restauração ambiental é o Projeto Coralbots, levado à cabo na Escócia pelo Laboratório de Sistemas Oceânicos da Universidade de Heriot-Watt.

 

Este projeto é exemplar para a técnica de construção e estabelecimento de aglomerados residenciais por sua experiência incomum pois não se trata de habitações para seres humanos. O projeto simplesmente objetiva reconstruir fractalmente o habitat dos recifes de corais.

A equipe de pesquisa pretende utilizar plataformas robóticas submarinas para criar um mosaico de recife transplantado com o objetivo de acelerar o processo de recuperação das áreas de recifes de corais degradadas pela poluição das águas e mudanças climáticas.

Trabalhando 24 horas por dias os robôs organizados como um enxame de cinco a oito elementos podem transplantar e manejar a fauna oceânica com uma intensidade impensável em comparação com as atividades realizadas manualmente por seres humanos e somente possível porque cada robô pode seguir um conjunto de micro-regras simples e eficientes, funcionais dentro da organização do enxame. Caso algum deles apresente falhas os outros continuam normalmente o trabalho.

Agora no exercício de transplantar a eficiência do desenvolvimento de estruturas capazes de suportar adequadamente a vida humana com a utilização de autônomos e automatizados robôs poderíamos supor, por exemplo, uma plataforma automatizada para a  recomposição da fauna de matas ciliares, restingas, pântanos e florestas através de replantio automatizado e baseado em micro-regras capazes de replicar padrões naturais de composição do ambiente.

Quando se aplica a perspectiva de cauda longa descrita por Steven Johson podemos perceber o quanto “o movimento de um campo para outro nos força a abordar barreiras intelectuais a partir de novo ângulos, ou a tomar ferramentas emprestadas de uma disciplina para resolver problemas em outra (…). O acaso favorece a mente conectada.” (JOHNSON, 2011, p.144).

 

Cenário 4 – Paralelismo em e-Governança é uma necessidade latente

 

Princípio do Paralelismo

Enxames inteligentes tem uma capacidade maior do que um agente somente de abordar tarefas por inúmeros pontos de vista já que podem dividir a tarefa em sub-tarefas e realizá-las ao mesmo tempo.

 

“As experiências analisadas na literatura confirmam que a implementação do processo de participação popular utilizando a internet tem levado ao crescimento do número de participantes envolvidos em processos de tomada de decisão local […] no caso brasileiro pode-se verificar apenas a disponibilização de e-mail como forma de participação pública junto aos órgãos municipais com recursos da informática.”

Renata Cardoso Magagnin

Prestar informações úteis e de encaminhamento prático em diferentes âmbitos territoriais: mundial, nacional, regional ou local. As Tecnologias de Informação e Comunicação  (TICs)  aceleram ou facilitam o desempenho das redes sociais e intensificam as cobranças nas Políticas Públicas na medida em que estas podem conhecer e definir melhor suas iniciativas com base em preferências dos cidadãos e das escolhas no ponto de consumo do serviço.

Os serviços mediados por tecnologias de informação podem influenciar o desenvolvimento de iniciativas democráticas localmente instituídas, dado o aporte de um fluxo constante de novas informações, onde cada ponto de acesso à rede pode  relatar e descrever necessidades e proposições localmente instituídas que poderão ser tornar modelos referenciais para as atitudes dos outros interlocutores do processo, a audiência.

Enxames inteligentes tem uma capacidade maior de sucesso, a natureza da Internet são as conexões e elas já ocorrem de modo intensificado no ambiente das Nações Unidas (ONU.

As pesquisas e iniciativas consultadas na elaboração deste apêndice foram  realizadas  em diversas Universidades e Centros de Pesquisa de diversos países, muitas delas transnacionais,  apontando que conjuntos de práticas denominadas de e-Governo podem ser encontradas em iniciativas  de  inúmeros países do mundo (se não todos) e em diferentes níveis.

As produções as quais darei maior destaque são os relatórios de benchmarking de práticas de e-Governo publicado pelas ONU, provendo um quadro comparativo global da Tecnologia da Informação e Comunicação no setor público. Avaliaremos sucintamente como partículas mais simples da rede global, os Estados nacionais, interage nos dias atuais com seus cidadãos em ambiente online criando um comportamento da ação como um todo, as melhores práticas de e-Governança.

No relatório entitulado “e-Government in the Philippines” a ONU apresenta as intenções e motivações para  realizar um benchmarking global sobre o tema, deixando explícita a intenção de governos em recriar os processos de relacionamento com os cidadãos visando a efetividade, eficácia e transparência no fortalecimento dos processos participativos:

“In other countries, Information and Communication Technology (ICT) is being deployed to make government more effective, efficient, and transparent. ICT is not only helping make better governments but also providing citizens more information on their governments. Leaders in the e -government movement are demonstrating that by combining technology with new ways of operating, government can be much more effective and responsive to citizens.”[6]

 

Conceitua-se governança como o uso da autoridade política, econômica e administrativa nos assuntos de um país, incluindo a articulação dos cidadãos para defesa de seus interesses e o exercício de seus direitos e obrigações (UNESCO, 2004).

No contexto da Administração Pública na Internet e-governança é relacionado às práticas inovadoras de relacionamento entre cidadãos e governo. Neste novo cenário todos os atores sociais e o Governo têm a disposição novos dispositivos legais e tecnológicos para revitalizar ou reformular as práticas de gestão das políticas e na prestação de serviços públicos, ampliando a capacidade de participação e não somente automatizando processos ou disponibilizando serviços online[7].

A  mais recente pesquisa sobre governo eletrônico correlata com os objetivos deste trabalho encontrada é a pesquisa “E-Government Survey 2012 – E-Government for the People” publicada pelas Nações Unidas[8] onde podemos encontrar uma série de informações e análises comparativas das iniciativas de todas as regiões do mundo que juntas formam o interativo e-Government Development Database (UNeGovDD).

Esta pesquisa criou um ranking com o Índice Global de e-Governança e mais 4 outros Índices: de Serviços Online, de Infra-Estrutura, de Capital Humano e de E-Participação.

Este ranking é parte resultado do relatório que examina o quadro institucional para e-Governança e descobre que a presença de uma autoridade nacional de coordenação pode ajudar a superar as barreiras internas e foco mentais com respostas integradas às preocupações dos cidadãos – uma lição importante para os atores do desenvolvimento sustentável.

A seguir segue a tabela 07 dos top 10 países da pesquisa:

País

E-Governança 2012

Rank
2012

Rank
2010

Mudança no Rank

    República da Coréia

0.9283

1

1

    Holanda

0.9125

2

5

+3 

    Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlando do Norte

0.8960

3

4

+1 

    Dinamarca

0.8889

4

7

+3 

    Estados Unidos da América

0.8687

5

2

-3 

    França

0.8635

6

10

+4 

    Suécia

0.8599

7

12

+5 

    Noruega

0.8593

8

6

-2 

    Finlândia

0.8505

9

19

+10 

    Singapura

0.8474

10

11

+1 

 

Tabela 05 – Indice dos 10 país mais pontuados no E-Government Survey 2012 – E-Government for the People

Serão comentados 2 casos neste apêndice.

e-Governo em Singapura

O Governo de Singapura mantém online o inovador portal http://www.ecitizen.gov.sg/  onde todos os  quase 6 milhões de  cidadãos podem, em suma, ter acesso a “todos os serviços governamentais em um lugar conveniente”. É o 10 do ranking UNeGovDD e seu portal possibilita a execução de 388 serviços online entre pagamentos e aplicações para Ministérios e Órgão Sociais.

 

e-Governo na República da Coréia

A República da Coréia  (popularmente conhecida como Coréia do Sul), país líder no ranking  2010  e 2012 nos índices de UNeGovDD e E-Participação, vem desde 1987 estabelecendo infra-estruturas e reavaliação de seus procedimentos burocráticos naquilo que chama de “Korea´s Journey to E-Government[9]”. Os índices deste país tendem à pontuação máxima e são muito superiores à todas as médias globais.

São vários os ambientes virtuais disponíveis e o mais destacado é o  www.epeople.go.kr  que dá possibilidades aos cidadãos de enviar propostas e engajar outros cidadãos, online. O Epeople provê serviços onde cidadãos podem propor idéias, políticas e engajar as autoridades nestas discussões, formando comunidades online.

Estima-se que já em maio de 2006 o portal tinha 8248 sugestões, 614 delas aceitas e que formaram 208 comunidades com aproximadamente 30.000 membros cada.

Já o  www.open.go.kr  integra serviços onde cidadãos pode visualizar listas de documentos governamentais e requerer informações que lhe são necessárias. Até 2006 as 805 agências públicas envolveram 26 milhões de documentos nas transações virtuais de documentos.

Destarte o sucesso em mobilizar a participação da população de 49 milhões de habitantes, os portais do E-Governo da República da Coréia respeitam regras de usabilidade, internacionalização, acessibilidade e já pré-determinam, por exemplo, o acesso visitante e local. Oferecem também muita informação útil, rápida e eficaz.

Estas evidências nos processos de e-governança global permite-nos condições compreender como estes serviços apontam para uma maior interação entre os cidadãos, entre cidadãos e agentes das políticas e entre cidadãos e representantes governamentais. Estas interações mais fortes na base dos processos podem ocorrer pela capacidade de contextualizar institucional e culturalmente os processo que as TIC´s apresentam quando em fluxo livre de rede horizontal de relacionamentos.

Um dos avanços nestas políticas de e-governo é que as redes sociais alimentadas nestes processos podem sim responder as suas necessidades específicas de atendimento a partir do próprio núcleo ativo baseando-se na liberdade que o utilizador tem para expressar suas dificuldades e auxiliar os outros nas dificuldades alheias.

 

Cenário 5 – Proximidade, persuasão e governança eletrônica

Princípio da Adaptabilidade

A população deve ser capaz de alterar o modo de comportamento quando vale a pena o preço computacional. Quando a população muda seu estado quando gbest (ou lbest) muda.

 

Assumindo como tema proposto a estruturação de um diálogo entre o povo e seus representantes os pesquisadores Katie Greenwood, Trevor Bench-Capon and Peter McBurney do Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Liverpool assumiram a responsabilidade de elaborar cientificamente uma modelagem formal das interações dos cidadãos em cenários de democracia eletrônica assim como o desenvolvimento de métodos persuasivos que caracterizem de maneira mais precisa as crenças e os desejos dos participantes.

A  tabela  a seguir nos mostra os tipo de diálogos possíveis em situações de  governança eletrônica, a situação inicial de cada um, o principal objetivo do diálogo e os objetivos dos participantes em cada cenário.

 

Tipos de diálogos possíveis em situação de governança eletrônica

Tipo de diálogo

Situação inicial

Principal objetivo

Objetivos dos participantes

Persuasão

Pontos de vista conflitantes

Resolução de tais conflitos por meio verbal

Persuadir o outro (s)

Negociação

Conflitos de interesses e necessidades de cooperação

Fazer um acordo

Quer o melhor, mais do que para si

Inquérito

Ignorância geral

Crescimento do conhecimento do acordo

Encontrar uma prova ou destruir uma

Busca de informação

Ignorância pessoal

Difusão do conhecimento e revelar posições

Ganho, transmitir, mostrar, ou ocultar o conhecimento pessoal

Deliberação

Necessidade de agir

Chegar a uma decisão de

Influenciar o resultado

Diálogo eurístico

Conflitos e antagonismos

Alcançar uma acomodação em um relacionamento

Derrotar a outra parte e vencer aos olhos dos espectadores

Tabela 06 – Katie Greenwood, Trevor bench-Capon and Peter McBurney

 

Considerando a persuasão no contexto de uma prática de raciocínio os pesquisadores discutem os problemas associados com a construção do raciocínio sobre ações do mesmo modo como fazem com as crenças. Afirmam também que no contexto atual democrático os governantes devem ser acessíveis e responsáveis perante aqueles que eles governam e devem estar abertos a receber queixas e sugestões quando um cidadão requerer justificativas da política de seu governo.

Os resultados apontaram que em casos queixosos “o uso do diálogo persuasivo por computador para estruturar a tentativa de persuasão de acordo com este modelo minimiza a necessidade de interpretação e as possibilidades de equívocos”, garantindo:

  • a posição é exposta de forma total e explícita;
  • ataques a posição são demonstrados de forma inequívoca e com precisão, caso haja desacordo residual, medidas apropriadas são tomadas para resolvê-lo, ou a identificar os pontos irreconciliáveis que tornam a persuasão impossível.

Dado que objetivamos respostas práticas, nosso diálogo e interlocução com os integrantes dos sistemas de manter se seguintes características do diálogo persuasivo, que são claras quanto:

  • as circunstâncias em que a ação é executada (detalhar o fato)
  • a ação em si (esclarecer o fato)
  • o objetivo alcançado por executar a ação (objetivar)
  • os valores sociais promovidos por esse objetivo. (comunicar e envolver a comunidade)

As perspectivas deste modelo são de que a comunicação entre o cidadão e os representantes é melhorada e ampliada através de diálogos eletrônicos. A população pode refletir mais seriamente em alterar seu comportamento quando vale a pena o esforço de estruturas de governo mais interativas.

O diálogo de persuasão fornece um modelo complementar de relacionamento governamental online cada comportamento pode ser alterado quando encontrado o melhor para a população. Pode ser adaptado à propostas já em funcionamento e que muitas vezes necessitam de um repensar do processo existente para que os benefícios estipulados sejam alcançados.


[1] De modo que eles estão elencados no APÊNDICE A porque não podem ser estruturados metodologicamente como estudo de caso.

[2] Informação extraída da Lista Integrada de Programas de Inovação da NASA publicada em 2012.

[3] Dados extraídos da agenda do IEEE Congress on Evolutionary Computation a ser realizada no México em Junho de 2013

[4] Ecosystems and Human Well-being: Opportunities and Challenges for Business and Industry, pág 27

[5] Sant’Ana, M.V., R.B.R. Trindade, C.C.S. Lopes, O. Faccenda & W.D. Fernandes. 2008. Forrageamento de Formigas (Hymenoptera: Formicidae) em Áreas de Mata e Campo de Gramíneas no Pantanal sul-mato-grossense. EntomoBrasilis, 1(2): 29-32.  www.periodico.ebras.bio.br/ojs

[6] Introdução da Publicação E-Government in the Philippines. ONU/ASPA 2002

[7] Siau, K., and Y. Long. Using Social Development Lenses to Understand e-Government Development,Journal of Global Information Management. v.14, n.1, p.47-62, 2006

[8] Pesquisa sobre Governo Eletrônico 2010: Incentivando Ferramentas de Governo Eletrônico durante um Período de Crise Financeira e Econômica, link da fonte: http://www2.unpan.org/egovkb/global_reports/10report.htm

[9] Link: http://unpan1.un.org/intradoc/groups/public/documents/un/unpan024609.pdf

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